quarta-feira, 29 de abril de 2020
sexta-feira, 30 de junho de 2017
- ANGOLA: A VOZ PROFÉTICA DOS BISPOS DA CEAST. Uma antropologia para a educação para a paz. Edição da SEDIECA
- POLÍTICAS EDUCATIVAS EM ANGOLA (1975-2005). Entre o global e o local: o sistema educativo mundial. Edição da SEDIECA
domingo, 13 de janeiro de 2013
JÁ PODE ADQUIRI-LO

É um livro que traz ao caro leitor [estudante e/ou investigador em ciências de educação ou políticas] uma reflexão rigorosa e imparcial sobre as políticas educativas angolanas das últimas décadas, à luz das dinâmicas do Sistema Educativo Mundial. Sendo Angola um país recentemente independente, com sérias dificuldades no sector da educação e com uma reforma educativa em curso, este livro vem suscitar um debate tendo como um dos objectivos levar o país a tomar melhores estratégias perante o fenómeno da transnacionalização de políticas educativas, um fenómeno que caracteriza a nível mundial as actuais reformas educativas. Recomendamos-lhe a sua aquisição e leitura. Desde já, votos de boa leitura. Obrigado.
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
POLÍTICAS EDUCATIVAS EM ANGOLA

sexta-feira, 4 de março de 2011
O sucesso das reformas educativas não está somente em bons programas ou boas ideias reformistas, aliás, bons programas e boas ideias geralmente as temos. Está, sobretudo, na força dos actores que as concebem e as implementam. Está numa comunicação coordenada entre todos os actores envolvidos numa determinada reforma, tanto os do topo como os da base. Actualmente, a nova ordem hierárquica administrativa (de baixo para cima), fruto do modelo democrático e descentralizado, leva-nos a relacionar o papel dos actores das bases com o sucesso ou não das reformas educativas implementadas em diferentes países do mundo.
Dentro das dinâmicas do Sistema Educativo Mundial realça-se o papel das organizações transnacionais em envolver os professores nas reformas educativas actuais a nível mundial. No caso do terceiro mundo, o destaque vai para a UNESCO e a União Europeia. Tem-se verificado um esforço da parte, sobretudo, da UNESCO, na formação dos professores do terceiro mundo em busca do sucesso das reformas educativas aí implementadas. Por exemplo, o Instituto Internacional para o reforço da capacidade da UNESCO na África desenvolve programas de formação docente utilizando metodologias de formação à distância; em alguns países têm sido criados programas de formação de docentes no âmbito de formação inicial e o fomento de acções que visam motivar os professores no exercício das suas funções (UNESCO, 2005b). Ou melhor, a UNESCO tem estado a colaborar “com distintos países sobre como optimizar os recursos da educação nos ensinos médios e superior, com a finalidade de formar professores de bom nível” (UNESCO, 2005b:7).
Perrenoud considera a formação inicial e contínua dos professores como uma das alavancas mais importantes na concretização das mudanças nas escolas, uma vez que a inovação não se faz por decreto, mas sim em virtude de uma livre convicção (Perrenoud, 2002). Este autor aponta dois factores para defender a aposta na formação inicial e contínua dos professores: ela actua sobre os valores e as representações e fornece saberes e competências que tornam as mudanças possíveis. É nesta lógica que decorrem muitos programas promovidos por organizações transnacionais que visam a capacitar os professores dos países em vias de desenvolvimento (Perrenoud, 2002:10).
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BIBLIOGRAFIA:
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AZEVEDO, J. (2000). O ensino secundário na Europa. O neoprofissionalismo e o sistema educativo mundial. 1.ª Edição. Porto: ASA Editora
CANÁRIO, R. (2005). O que é a escola? Um olhar sociológico. Porto: Porto Editora
NGABA, A. (2006). Transnacionalismo e políticas educativas. O caso angolano (1975-2005). Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa para a obtenção do grau de Mestre em ciências da educação. Porto: Universidade Católica. Documento policopiado
NÓVOA & POPKEWITZ (1992). Reformas educativas e formação de professores. Lisboa: Edições EDUCA
NÓVOA, A. (1992). A reforma educativa portuguesa: questões passadas e presentes sobre a formação de professores. In NÓVOA & POPKEWITZ (1992). Reformas educativas e formação de professores. Lisboa: Edições EDUCA. pp. 57-69
PERRENOUD, P. (2002). Os sistemas educativos face às desigualdades e ao insucesso escolar: uma incapacidade mesclada de cansaço. Université de Genève. Edição on-line: www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_2002/2002_14.html 02.12.2005
PILIPOVSKI, V. (1992). Reformas educativas e formação de professores: o caso soviético. In NÓVOA & POPKEWITZ (1992). Reformas educativas e formação de professores. Lisboa: Edições EDUCA. pp. 135-142
POPKEWITZ, T.S. & PEREYRA, M.A (1992). Práticas de reforma na formação de professores em oito Países: esboço de uma problemática. In NÓVOA & POPKEWITZ (1992). Reformas educativas e formação de professores. Lisboa: Edições EDUCA. pp. 11-40
UNESCO (2005a). Educação Para Todos. O imperativo da qualidade. Relatório conciso. Paris: Edição on-line:www.unesco.org.br/2005.11.12
UNESCO (2005b). A UNESCO e a Educação. Brasília: UNESCO Editora. Edição on-line: www.unesco.org.br./ 2005.11.20
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
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“Todos erram: a maioria usa os erros para se destruir; a minoria, para se construir. Estes são os sábios.” Nós vamos procurar ser os sábios actuais, ou seja, caro(a) educador(a), procure ser um dos sábios actuais. Só terá a ganhar… tente…
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1. Corrigir publicamente
Conceito:
- Expor o defeito de uma pessoa diante dos outros, ou fazer uma exposição pública do erro do educando
- Ofender os defeitos físicos de alguém
Conseqüências:
- Produzir humilhação e traumas complexos, difíceis de serem sarados
- Baixa auto-estima (sentimento ou preconceito de inferioridade)
- Perda do encanto pela vida
- Depressão
Conselhos úteis:
- Só se deve intervir publicamente quando o erro é público. Mesmo assim, é necessária a prudência, evitando assim colocar mais lenha no calor das tensões
- Não humilhar publicamente alguém, ainda que seja para nossa defesa
- Não ofender os defeitos físicos de alguém
- Ainda que alguém o decepcione, não o humilhe, chame-o em particular e corrija-o
- Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do que o erro da pessoa
2. Expressar autoridade com agressividade
Conceito:
- Uso da violência para corrigir
- Imutabilidade e teimosia (outra forma do uso da violência)
Conseqüências:
- Perda do amor por parte do educando, substituído pelo temor
- Controlo da inteligência ou sufoco da lucidez
- Reprodução da reacção do educador por parte do educando no futuro (formar pessoas que também reagirão com violência = formar violentos)
Conselhos úteis:
- Dialogar com os educandos (“o dialogo é uma ferramenta educacional insubstituivel)
- A verdadeira autoridade entre educador-aluno é conquistada com inteligência e amor
- Gestos como beijo, e outros de afecto, levam os educandos a acreditar que não correm o risco de perder seus educadores ou pais, nem tão pouco perder o respeito deles
- Não devemos ter medo de perder nossa “autoridade”, devemos ter medo de perder nossos filhos, ou educandos
3. Ser excessivamente crítico: obstruir a infância da criança
Conceito:
- Criticar imediatamente cada falha ou nota ruim ou atitude insensata
- Fazer uma seqüência de críticas a um indivíduo, às vezes em público
- Comparar seus comportamentos com os dos outros educandos
- Criticar obsessivamente alguém
- Maquinação do educando
Conseqüências:
- Infelicidade, timidez e fragilidade escondido por detrás da seriedade e da eticidade;
- Falta de alegria e espontaneidade entre o educador e o educando;
- Tristeza
- Pavor da crítica
- Medo de errar (medo de correr riscos)
- Obstrução da infância
Conselhos úteis:
- Não critique excessivamente e não compare um educando com os seus colegas porque cada um é um ser único do teatro da vida
- A comparação só é educativa quando é estimulante e não depreciativa;
- Dê aos seus filhos/ educandos uma liberdade para terem as suas próprias experiências, mesmo que isto inclua riscos, fracassos, atitudes tolas e sofrimento;
- Deixar certa margem de erro do educando para que este reconheça a sua fragilidade, amadureça com os erros, aprenda a tolerar, perdoar e a incluir.
- “A pior maneira de preparar os jovens para a vida é colocá-los numa estufa e impedi-los de errar e sofrer”. “...Temos de ter em mente que os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Mas não é possível ser forte sem perceber nossas limitações”.
4. Punir quando estiver irado e colocar limites sem dar explicações
Conceito:
- Deixar escravizar-se pela ira
- Agir com a temperatura da emoção
- Lidar com a falha ignorando de que ela é uma excelente oportunidade para o educador revelar maturidade e sabedoria
Conseqüências:
- Baixa auto-estima do educando
- Perda do valor da sua vida
- Registo na memória de factos desagradáveis
Conselhos úteis:
- As crianças sempre cometem erros, e o importante é o que fazer com eles
- Jamais pune quando estiver irado
- A dor da palmada não estimula a inteligência dos educandos
- A melhor forma de ajudá-los é levá-los a repensar suas atitudes
- Praticando essa educação você estará desenvolvendo nos educandos o sentido da liderança, tolerância, ponderação e segurança nos momentos turbulentos
- Discuta as causas das falhas com os educandos e lhes dê crédito
- A melhor punição é aquela que se negocia; confie na inteligência dos seus educandos
- A maturidade de uma pessoa é revelada pela forma inteligente com que ela corrige alguém. Jamais coloque limites sem dar explicações. Para educar use primeiro o silêncio e depois as idéias. Elogie o jovem antes de corrigi-los ou criticá-los, assim ele acolherá melhor as suas observações.
5. Ser impaciente e desistir de educar
Conceito:
- Achar que é perda de tempo investir mais num aluno que repete com freqüência os mesmos erros
- Desistir de conceder mais uma chance para o educando mudar
- Querer apenas educar jovens dóceis
- Desistir dos alunos “insuportáveis”
Conseqüências:
- Perda do direito de estudar e de ter mais uma chance para mudar de vida
Conselhos úteis:
- Em muitos casos, a indisciplina do educando é uma reacção desesperada de quem estava pedindo ajuda
- Uma agressividade do educando pode ser um eco da agressividade que recebe em algum lugar
- O indisciplinado é vítima e não tanto um réu
- Ele vive num mundo sem cores
- Educadores brilhantes e fascinantes não desistem dos seus educandos ainda que os decepcionem ou não lhes dêem retorno imediato
- Por detrás de cada aluno arredio, de cada jovem agressivo, há uma criança que precisa de afecto
6. Não cumprir com a palavra
Conceito:
- Com medo de frustrar, prometer o que não pode cumprir
- Com a preocupação em evitar transtornos momentâneos, fazer promessas excessivas
- Dissimular e não cumprir com a palavra
- Não ser honesto com os educandos
- Medo de dizer não
Conseqüências:
- Perda do respeito pelo educador
- Possibilidade do educando projectar no ambiente social uma desconfiança fatal
- Possibilidade de se desenvolver uma emoção insegura e paranóica achando que todo o mundo o quererá enganar
Conselhos úteis:
- A frustração é importante para o processo de formação da personalidade
- Não dissimule suas reacções, seja honesto com os educandos
- Cumpra o que promete, ou não prometa o que não consegue cumprir
- Diga “não” sem medo
- A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído
7. Destruir a esperança e os sonhos
Conceito:
- Fazer acusações que confinam o educado ao fracasso
- Considerar o eduncando como um irremediável
- Ser cordeiro com os alheios e leão com os educandos
- Ferir continuamente seus educandos
Conseqüências:
- Perda da esperança e dos sonhos e, por conseguinte, dificuldades em superar seus conflitos
- Gravitação em torno das misérias emocionais e das suas derrotas
- Depressão do educando
- Dificuldade em encontrar dias felizes
- Falta de motivação para caminhar
Conselhos úteis:
- Não importa o tamanho dos nossos obstáculos, mas o tamanho da motivação que temos para superá-los
- Um eu passivo, sem esperança, sem sonhos, deprimido, poderá carregar os seus problemas até ao túmulo
- Como educador, venda sempre esperança
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Trabalho em grupo...
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*Comunicação feita em Janeiro de 2010, no "Seminário pedagógico", realizado no âmbito da formação permanente dos professores da Escola Missionária "Rosa Gattorno" no Soyo. Baseou-se principalmente nos "Sete Pecados Capitais dos educadores" apresentados por Cury (2003).
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Bibliografia
CURY, A. (2003). Pais brilhantes. Professores fascinantes. A educação de nossos sonhos: formando jovens felizes e inteligentes. 15ª Edição. Rio de Janeiro: Sextante Editora
sábado, 8 de janeiro de 2011
- Transformação ou transformações que introduzem mudanças fundamentais nos objectivos educativos, normas e nas instituições.
- Tentativa de reconstrução total de um sistema educativo tendo em conta uma determinada política e uma concepção educativa.
- Mudança em larga escala, com um carácter imperativo para o conjunto do território nacional, implicando opções políticas, redefinição de finalidades e objectivos educativos, alterações estruturais no sistema a que se aplica, em que as decisões pertencem aos órgãos legislativos nacionais.
- O seu processo é centrado ao nível institucional e exógeno a escola.
- É diferente do da reforma. Processo de mudança mais restrito com carácter sectorial ou pontual. É centrado a nível da escola, endógeno a escola e existe uma forte relação próxima entre quem a concebe, decide e a executa.
Durante estas últimas duas, ou três décadas, o mundo tem assistido uma vasta gama de reformas de sistemas educativos, tentando adaptá-los às novas necessidades tanto sociais, económicas como formativas. Elas incidem principalmente no novo papel da escola, no currículo e no ensaio de novos modelos políticos e administrativos:
- Tendências técnico-funcionalistas: tendência de ligar fortemente a escola ao melhoramento da qualidade de vida. Ou seja, supra valorização da correspondência entre a educação e a economia.
- Reformas curriculares: ampliação do período da educação obrigatória, para uns de 4 para 6, outros de 6 para 9, outros ainda de 9 para 12 anos. Outros aspectos:
- Prevenção a epidemias: a escola assume o papel de “vacina social”. A escola é hoje chamada a enfrentar duas realidades: o HIV e os conflitos armados. No que concerne ao HIV, a escola é chamada a moldar os comportamentos dos adolescentes e jovens no seu combate. Na escola são introduzidas disciplinas que visam combater o HIV. Em alguns casos são disciplinas curriculares, noutros casos, são extra-curriculares. Quanto aos conflitos armados, os currículos devem dar uma atenção especial a informações preventivas sobre minas terrestres, actividades culturais e valores que visem a promoção da paz.
- línguas nacionais (bilinguismo): o sucesso do processo ensino-aprendizagem passa pela comunicação (língua falada e gestual). Actualmente, dá-se ênfase à inclusão de línguas nacionais no ensino, em busca da sua qualidade. Elas actualmente são um meio e objecto de aprendizagem. "O direito de ser alfabetizado em língua materna deve ser implementando e respeitado".
- Novos modelos educativos: do elitista e centralizado ao democrático e descentralizado. O modelo elitista e centralizado consiste na uniformidade curricular (mesmos conteúdos programáticos obrigatórios para todos os alunos), metodologias dirigidas para todos os alunos, avaliação descontínua, uniformidade dos espaços educacionais, direcção unipessoal (figura do director da escola). Problemas cada vez mais complexos (principalmente o insucesso, abandono e o absentismo escolar) fizeram com que muitos países tentassem reformar as suas políticas educativas. Actualmente primam pelo modelo democrático e descentralizado, tendo como um dos primeiros objectivos garantir processos de ensino e aprendizagem diferenciados, atendendo a realidade de cada país ou aluno. Este modelo permite não só a escolarização mas também a instrução de todos. Consiste sobretudo na descentralização do conteúdo educativo, na atenção focalizada no aluno proporcionando-lhe métodos educativos que atendam a sua diversidade.
- Tempo colonial - Modelo elitista e centralizado
- 1975 – Modelo elitista e centralizado
- 1992ss – Modelo democrático e descentralizado(?)
- A escola e a reforma educativa (o que se espera da escola perante o quadro da nova reforma educativa):
- Projecto educativo que tenha em conta o contexto particular da escola
- Projecto curricular de turma que tenha em conta a particularidade de cada turma
- Garantir processos de ensino e aprendizagem (métodos) diferenciados, atendendo a realidade de cada aluno
- Adaptação dos manuais de ensino a realidade de cada escola ou dos alunos
- Aplicação da avaliação contínua no contexto da sala de aula
- Implementação de actividades extra-curriculares (combate as epidemias e os conflitos armados)
- Aplicação do bilinguismo: kimbundu, umbundu, kikongo, etc.
- Criatividade de cada professor no contexto da escola, ou da sala de aula
- Maior engajamento entre a escola e a comunidade envolvente
- Melhor relacionamento entre a escola (professor) e os encarregados de educação
- Uma escola e um professor multifacetado: que o(a) professor(a) seja ao mesmo tempo um(a), educador(a), psicólogo(a), sociólogo(a), mãe(pai), avô, avó, amigo, amiga, irmão, irmã, etc., do aluno
- Diminuir ao máximo o insucesso, o abandono e o absentismo escolar
- Escolarizar e educar todos
- Garantir um serviço escolar com qualidade para todos
NGABA, A. (2006). Transnacionalismo e políticas educativas. O caso angolano (1975 -2005). Dissertação apresentada a Universidade Católica Portuguesa para a obtenção do grau de Mestre em ciências da educação. Porto: Universidade Católica. Documento policopiado
CANÁRIO, R. (2005). O que é a escola? Um olhar sociológico. Porto: Porto Editora
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
Apresentado o livro "Angola: a voz profética dos Bispos da CEAST (1975-2002)"
Sra. Deputada
Excia. Sr. Vice-Ministro do MAPESS
Revdos. Srs. Padres
Revdas. Irmãs
Caros convidados
Senhoras e senhores,
1- Queremos justificar a nossa presença, aqui e neste momento, querendo ser testemunhas da leitura e estudo do conteúdo dos Documentos da CEAST (em particular sobre as Cartas, Mensagens, Notas e Exortações Pastorais) publicados desde o ano de 1975 até 2002; fruto do trabalho de investigação científica iniciado pelo meu caro amigo e colega Revdo. Pe. André Vela Ngaba.
Coincidente ou tecnicamente, a delimitação do percurso investigativo representa um pormenor de obrigação visual: 1975 e 2002. Ano da Independência de Angola e o de fim de guerra de armas, respectivamente. Esta técnica científica exigiu o autor e exige-nos a nós testemunhas, fixar particular atenção no acesso do País Angola às responsabilidades da libertação política pelos caminhos da Paz e da autonomia soberana. Os contrastes de programas, as divergências de métodos e as diferenças de mentalidades, tornaram difícil, durante quase trinta anos, o seguimento dos caminhos pensados ab initio.
Passado este período e para não deixar perder a razão de ser dum Povo, a união e conjugação de esforços impoem-se agora ainda com mais vigor, para todos os angolanos empreenderem a tarefa da estruturação da Pátria, da condução do Povo – soberano e responsável, na compreensão do próprio homem, na reconstrução digna da sociedade pelos caminhos da Paz, Justiça e Desenvolvimento.
2- Desde o ano de 1975, ponto de partida da investigação do nosso autor, a Igreja – CEAST – sempre se preocupou com o sector da libertação do homem: procurou compreender e promover o ser humano – sujeito querido e preferencial, entre todos os seres, do Criador. Que tipo de homem o Pe. André encontrou nos Documentos da CEAST?
Os Bispos apresentam, nos Documentos Pastorais, uma visão profundamente cristã do homem; por isso mesmo, antropologia teológica. Consideram o homem criatura de Deus que, no grande cortejo dos seres, foi considerado preferencial pelo próprio criador, dotando-o de cabeça para pensar, liberdade e consciência para tomar decisões e vontade para apreciar com critério avaliativo, o bem escolhido.
Nos Documentos dos Bispos da CEAST, está, segundo o Pe. André, uma antropologia de Fé, de Esperança e dos Desafios (cfr. Págs. 53ss). Deus cria o homem livremente, e na plena liberdade. Liberdade e responsabilidade se conjugam e possibilitam a pessoa humana exprimir a sua liberdade e relacionar-se na amizade com Cristo. Pensamos, obviamente, nos princípios da dignidade da existência pessoal e da defesa da vida. Negar essa verdade (como aconteceu na história... deste País) é obstacular a “quaestio de homine” e tentar construir uma antropologia sem fundamento.
Assim como a natureza da Igreja é a Missão, ela reconhece-se, ao mesmo tempo, ser portadora de uma verdade que não vale só para alguns, mas verdade e valor universais. É o que ensina a Igreja. E é o que dá fundamento aos direitos universais do homem, reconhecidos e declarados nos Instrumentos nacionais internacionais, sustentados por um pensamento sobre a centralidade da pessoa humana, com base na Lei e no Direito Natural. Esse projecto passa pelo direito e defesa da vida, liberdade, segurança, felicidade e paz que, todos, segundo o princípio de subsidiariedade, devemos garantir e defender contra a invasão por parte dos outros.
3- Educação para a Paz.
A perspectiva da Igreja (representada pelos Bispos da CEAST) na compreensão integral do ser humano, caracterizou-se principalmente na “apresentação do humanismo cristão ao angolano como”, segundo o autor, “único caminho para uma verdadeira paz, a paz que Jesus Cristo nos deixou”. A paz como dom; a paz como fruto da compreensão no esforço de cada angolano.
Esta é uma tarefa de todos os dias, no dizer do Concílio Vaticano II (cfr. GS. 78). Eis a razão de uma antropologia dos desafios... que requer de todos nós uma atitude reconciliadora, responsável e de mudança; requer de nós uma “outra voz profética”.
Termino, para não substituir a vossa leitura profética, perguntando: QUAL É A VOZ PROFÉTICA NESTA FASE DE RECONSTRUÇÃO NACIONAL?
- Não bastam os contratos de parcerias, nem avaliações de duas ou três riquezas que podem não resultar do trabalho do homem; mas, em tudo e em todos os programas de educação e reconstrução, colocar a PRIORIDADE NO HOMEM, NO DESENVOLVIMENTO, NO PROGRESSO E NO BEM-ESTAR. Aqui estão outros PROJECTOS para FUTURAS VOZES.
- Obrigado Pe. André, pela iniciativa neste projecto de assuntos que dizem respeito, não só à Igreja angolana, mas a todo o homem universal.
A todos muito obrigado e os meus votos de BOA LEITURA!
Luanda, aos 10 de Julho de 2009
Pe. António Lungieki Pedro Bengui,
Chanceler
Excelência e Reverendíssima Dom Filomeno, Bispo da Diocese de Cabinda,
Reverendo Padre Dionísio, Secretário da CEAST para área da pastoral,
Reverendo Padre António Lunguieki, Chanceler da Arquidiocese de Luanda,
Excelentíssimo Senhor Sebastião Lukinda, Vice-Ministro do MAPESS,
Excelentíssimo Senhor Zeferino Estevão Juliana, Presidente da ALUAMPINDA,
Dona Lúcia, representante da ALUAMPINDA,
Minhas Senhoras e meus Senhores,
Ilustres convidados,
É uma honra para a ciência, para o povo angolano e para todos os amantes da paz estarmos aqui reunidos em torno desta obra. Angola: a voz profética dos Bispos da CEAST (1975-2002). Uma antropologia teológica para a educação para a paz.
Há cinco anos, na Universidade Católica Portuguesa, pólo da foz, situado na cidade do Porto, eu escrevia uma tese que tinha como título «O homem nos documentos pastorais dos bispos da CEAST (1975-2002). Uma leitura teológica em busca de uma antropologia para a educação para paz». Feita a defesa desta tese em 2004, na qual surgiu a recomendação, por parte do júri, de publicá-la em livro, surgiu um novo desafio. O de transformar a tese em livro. Para isto tive que simplificar o trabalho tornando-o mais acessível para que todos o pudessem compreender. Esta parte durou praticamente quatro anos. Ou seja, só acabou no ano passado.
Reflectir no que foi a pastoral dos Bispos da CEAST durante o tempo de guerra em Angola é um dos desejos que caracterizou a tese, e agora caracteriza o livro. Parti do pressuposto de que essa pastoral teve um papel substancial para o clima de paz que actualmente se vive em Angola. Assim, à luz dos documentos pastorais publicados pela CEAST entre 1974 e 2003, organizei uma antropologia para uma educação para a paz, tendo em conta o contexto de Angola. É o meu contributo na árdua tarefa de cada um educar-se e educar para a paz.
O quê este livro significa para mim! Dos muitos significados que o livro possa envolver, gostaria apenas de partilhar um. Este livro, acima de tudo, foi uma terapia para mim. Tal como muitos jovens angolanos, eu sou da geração da guerra. Ou seja, nasci na guerra e cresci na guerra, esta guerra tratada no livro. Como diz a página 106 “na guerra de Angola, não terá havido praticamente nenhum angolano que não tivesse experimentado mágoas e suas consequências, directas e indirectas. Daí a tentação de muitos cederem à lei da retaliação”. Citando os Bispos, a página 90 deste livro, diz que muitos angolanos “perderam os pais, outros os irmãos, outros os amigos, outros a saúde, outros a escola, e outros, tudo isso”. Se por um lado vieram-me a memória estes factos durante a investigação, por outro, os resultados alcançados foram para mim uma autêntica terapia para as minhas interrogações, um sorriso cheio de esperança numa Angola melhor, uma Angola de paz, onde o outro seja a minha alegria de existir, a diferença seja apenas a prova de que existimos como seres únicos. O homem, diziam os bispos, “é dom de Deus para o homem”.
Portanto, ler este livro é fazer sim uma descoberta dos conteúdos das cartas pastorais dos bispos da CEAST no que concerne a educação para a paz. Mas é sobretudo entrar num processo de terapia e conversão interior, um processo de libertação rumo ao homem novo, este que vê o outro como dom de Deus. Construir uma nova geração, a geração de filhos da paz, a geração de crianças, jovens e velhos de paz, é um dos desafios a que o livro nos convida.
Termino com algumas palavras de apreço e gratidão a algumas pessoas em particular, principalmente as que fizeram com que hoje estivéssemos aqui. Eterna gratidão aos Frades Menores Capuchinhos de Portugal por toda a ajuda prestada durante os meus estudos em Portugal.
Eterna gratidão a minha família, minha fonte de inspiração: sempre esteve ao meu lado apoiando-me incondicionalmente. Obrigado por tudo, obrigado pela vossa presença nesta cerimónia.
O meu obrigado a todos aqueles que estiveram na organização desta cerimónia. Destaco a associação da ACGD, na pessoa do Dr. Arlindo, a associação da ALUAMPINDA, as Irmãs de Nossa Senhora da Luz que nos cederam o lugar, e a minha família.
Agradeço as palavras do Dom Luís Scarpe, Bispo Emérito de Ndalatando, as do Rev.do Padre António Lungieki, Chanceler da Arquidiocese de Luanda, as do Rev.do Padre Dionísio, Secretário da CEAST, e as da Dona Lúcia na qualidade de membro da ALUAMPINDA.
Tudo isto me anima a divulgar os resultados das minhas pesquisas! Tenho ainda outras. Tenho, por exemplo, um outro livro por publicar. Este sobre a educação em Angola, fruto da tese do meu mestrado. Ainda não saiu porque carece de patrocínios
Obrigado a todos os presentes, obrigado por terem vindo a cerimónia. Obrigado pela vossa presença, obrigado pela vossa amizade. Deus esteja sempre convosco.


Luanda – O mercado literário angolano conta desde hoje com mais um produto de carácter investigativo, "A Voz Profética dos Bispos da Ceast (1975-2002)", do padre André Vela Ngaba, que retrata a influência da pastoral dos bispos católicos para educação para paz, durante a guerra em Angola.
A obra (uma antropologia profética da educação para paz), de 163 páginas, foi editada pela Sedieca e faz a alusão ao contributo das mensagens de apelo à paz e à harmonia entre os homens, contidas nas cartas saídas das reuniões dos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (Ceast).
Falando no acto de lançamento, o autor referiu que, com esta obra, tentou reflectir sobre a importância da pastoral dos bispos para a paz no país, tendo concluído que as cartas tiveram, efectivamente, um papel substancial para a saída do conflito em que se vivia.
"Ler este livro é entrar no processo de terapia rumo ao outro, construindo na geração de filhos, pais e avós a importância da paz e o respeito", referiu.
André Ngaba disse que a sua obra representa igualmente uma terapia para si, já que "nasceu da guerra e cresceu nela, num ambiente onde muitos perderam a educação, saúde e outras necessidades".
Ao apresentar a obra, o chanceler da Arquidiocese de Luanda, Pedro Bengui, referiu que o autor fez uma leitura pontual da intervenção da Igreja Católica em Angola, no período da guerra, fazendo análise da antropologia teológica contida nas cartas dos Bispos da Ceast.
O autor, considerou, apresenta uma antropologia teológica, justificando a origem divina do ser humano, criado com cabeça para pensar, liberdade de consciência para tomar decisões e uma vontade par apreciar o bem escolhido.
"A Voz Profética dos Bispos da Ceast (1975-2002) é uma antropologia de esperança, já que a visão dos bispos, nestas cartas, é vencer o mal e voltar a ser homem digno. É uma Antropologia de desafio que sirva para educação para paz, onde todos façam tudo para o bem de todos", sublinhou.
Sacerdote da Diocese de Mbanza Kongo, capital da província do Zaire, estudou Ciências Filosóficas no Seminário Maior de Luanda, Teologias e Ciências Religiosas na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa e é mestre em Ciências da Educação, na área de Administração e Organização Escolar pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica de Portugal.
Pinda Simão felicitou o padre André Vela Ngaba pela contribuição a causa da cultura de paz em Angola com esta obra: “é um grande contributo, mais um de tantos que devem existir e acredito que esta por ter referido tudo o que a CEAST vem desenvolvendo durante estes últimos anos, certamente vai lembrar que algo terá acontecido sobretudo naqueles momentos conturbados aqui em Angola. Nós felicitamos o padre por ter nos frisado com este património”.
Sr. Vice-ministro será que iniciativa dessa natureza deve ser, portanto, encorajada a mais pessoas para que apareçam mais bibliografias como estas? “Acho que sim, sobretudo os que trabalham nas ciências humanas, os que estão ligadas as organizações religiosas, são elas que dão uma atenção especial a esta matéria da paz, da cultura da paz, estabilidade, harmonia entre as comunidades, e acredito que há várias outras experiencias que devem ser partilhadas por nós todos e encorajo que outros venham enveredar neste caminho e que nos tragam mais subsídios para o equilíbrio que a nossa sociedade precisa”.
Com 163 páginas o livro “Angola: a voz profética dos bispos da CEAST” reflecte o percurso histórico angolano 1975-2002.
O presidente da Associação de leigos católicos ACGD, Estevão Zeferino Juliana, este disse mesmo que esta obra bibliográfica não é um livro qualquer: “Este não é um livro qualquer, é um livro que sai no quadro de vários documentos da Conferência Episcopal desde 1975-2002 e definiu toda a sua estratégia para a dignificação do homem angolano”.
Podemos dizer que é uma ferramenta para o resgate dos valores morais? “Bem, a Igreja teve sempre esta visão de trabalhar para o bem comum, de trabalhar para a solidariedade, de trabalhar para que o homem seja digno de si próprio, portanto, nós temos que fazer um grande esforço para que cada um sinta-se como homem dentro da sua própria terra”.
O Padre André Vela Ngaba, admite que o facto de ter pertencido a geração sofredora da época seja um dos motivos que o terão influenciado nesta obra: “Sempre estive preocupado por Angola, amo Angola, e depois também eu vivi essa situação toda do conflito armado, no fundo sou dessa geração, talvez tudo isto tenha influenciado em explorar as cartas pastorais dos bispos da CEAST, em explorar o aspecto antropológico dessas cartas e, sobretudo, direccioná-lo para a educação para a paz.
Qual é o momento mais marcante neste livro? “Acho que tudo marca, por isso é que está ai. Acho que tudo que está ai marcou-me de uma certa maneira. E, sobretudo, eu disse na minha intervenção na altura da apresentação do livro de que o livro em si sempre que eu o leio ou releio serve de terapia para mim.
Padre André Vela Ngaba, autor da obra “Angola: a voz profética dos bispos da CEAST”, já no mercado angolano, lançado no auditório do lar da CEAST (…).
Visão antropológica da Igreja editada em livro
O mercado angolano conta com mais uma obra “A voz Profética dos Bispos da Ceast (1975-2002)” de investigação antropológica. Coube ao notável padre André Vela Ngaba a sua apresentação.
A obra retrata a influência da pastoral dos bispos Católicos para a educação e paz, durante a guerra em Angola. O livro (uma antropologia profética da educação para a paz) tem 163 páginas e é a chancela da Sedieca e faz a alusão ao contributo das mensagens de apelo à paz e harmonia entre os homens, contidas nas cartas saídas das reuniões dos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (Ceast). Ao tomar a palavra por ocasião do lançamento, o autor referiu que, com esta obra, tentou reflectir sobre a importância da pastoral dos bispos para a paz no país, tendo concluído que as cartas tiveram, efectivamente, um papel substancial para a saída do conflito e que se vivia.
“Ler este livro é entrar no processo de terapia rumo ao outro, construindo na geração de filhos, pais e avós a importância da paz e o respeito”, salientou.
André Ngaba disse que a sua obra representa, igualmente, uma terapia para si, já que “nasceu da guerra e cresceu nela, num ambiente onde muitos perderam a educação, saúde e outras necessidades”.
Ao apresentar a obra, o Chanceler da Arquidiocese de Luanda, Pedro Bengui, destacou que o autor fez uma leitura pontual da intervenção da Igreja Católica em Angola, no período da guerra, fazendo análise da antropologia teológica contida nas cartas dos Bispos da Ceast.
O Padre André Ngaba oferece uma antropologia teológica, justificando a origem divina do ser humano, criado com cabeça para pensar, liberdade de consciência para tomar decisões e uma vontade para apreciar o bem escolhido.
“A Voz Profética dos Bispos da Ceast (1975-2002)” é uma antropologia de esperança, já que a visão dos bispos, nestas cartas, é vencer o mal e voltar a ser homem digno. É uma antropologia de desafio que servirá para a educação, paz, onde todos façam tudo para o bem de todos”, destacou.
O autor é sacerdote da Diocese de Mbanza-kongo, capital da província do Zaire. Estou Ciências Filosóficas no Seminário Maior de Luanda. Teologias e Ciências Religiosas na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. É Mestre em Ciências da Educação, na área de Administração e Organização Escolar pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica de Portugal.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

domingo, 13 de julho de 2008
Transnacionalismo e Políticas educativas: o caso angolano (1975-2005)
Tal como noutros sectores da sociedade, na Educação assiste-se hoje uma homogeneidade de políticas e práticas educativas a nivel mundial: sistemas educativos de diferentes países são homogéneos nas suas principais características e prioridades políticas. Ou seja, fruto das dinâmicas do Sistema Educativo Mundial (SEM) as sociedades que se modernizam acabam por optar por subsistemas de educação escolar de contornos semelhantes. E a importação de modelos educativos que daí advém, em alguns casos, é uma das causas do baixo desempenho dos sistemas educativos dos países em vias de desenvolvimento.
O presente trabalho teve como objecto de estudo as políticas educativas angolanas de 1975 à 2005 (1.ª e 2.ª República), à luz das dinâmicas do SEM. Sendo um país em vias de modernidade e actualmente com uma reforma educativa em curso, este trabalho, entre outros objectivos, pretende principalmente suscitar um debate que vise a analisar as políticas educativas do país, à luz das dinâmicas do SEM.
O estudo baseou-se na metodologia qualitativa, tendo como principal técnica de trabalho a análise documental. Os documentos que constituíram a amostra (cuja a natureza é de fontes primárias inadvertidas) foram recolhidos no Ministério da Educação de Angola (MED). O processo da amostragem baseou-se no critério da intencionalidade: tendo sido seleccionados apenas os documentos cuja a temática coincidiu com o objecto do estudo.
Os resultados obtidos foram divididos em duas fases: 1.ª República (1975-1992) e 2.ª República (1992-2005ss). Sobre a 1ª República apontam para uma homogeneidade entre as políticas educativas angolanas e as dos países do Bloco do Leste, principalmente a República de Cuba. A opção política assumida por Angola neste período (Marxismo-leninismo) e a busca de legitimidade do Sistema Educativo do País, tanto a nível externo como interno, são um dos factores que explicam esta homogeneidade. E sobre a 2.ª República apontam para uma homogeneidade entre as políticas educativas do novo projecto educativo de Angola e as políticas educativas da UNESCO, UNICEF e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A mudança do clima político de Angola em 1992 (ensaio da democracia) e, mais uma vez, a busca de legitimidade do Sistema Educativo do País, a nível externo e interno, são uma das explicações desta nova homogeneidade.
Os Resultados obtidos nas duas fases em análise confirmam a tese segundo a qual, fruto das dinâmicas do SEM, as sociedades que se modernizam acabam por optar por subsistemas de educação escolar de contornos semelhantes.
O objectivo deste estudo não só foi de facultar conhecimentos no que concerne ao contexto específico de Angola no SEM! Nem tão pouco defender apenas um quadro teórico sobre a homogeneidade de Políticas Educativas Mundiais. Mas sobretudo, suscitar um debate que leve o país [Angola] a elaborar melhores estratégias perante o fenómeno da globalização no sector da educação, adoptando, neste caso, políticas educativas que vão de acordo ao contexto específico de Angola, sem menosprezar a cooperação internacional. Angola é um país com sérias dificuldades no sector da educação, caracterizadas por uma taxa de insucesso, abandono e absentismo escolar muito altas, e actualmente com uma reforma educativa em curso que tem como um dos objectivos primordiais aumentar o nível de eficácia do sector da educação e facultar uma educação para todos, até pelo menos ao ano 2015.
Pretende-se, assim, associar no âmbito do grande debate nacional sobre as políticas e reformas educativas em Angola a perspectiva do SEM vendo, neste caso, o SEN angolano não tanto como uma unidade de análise, mas como um todo dentro do contexto alargado das políticas educativas mundiais. Este trabalho, fruto de uma pesquisa realizada no âmbito da obtenção do grau de Mestre em Ciências da Educação pela UCP, pode ser consultado na Biblioteca Paraíso da UCP – Pólo da Foz/Porto.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
André V. Ngaba, apresenta o livro da Drª Beatriz Castro em Paredes-Portugal
Permitam-me que, antes de tudo, eu faça algumas confissões públicas. A primeira vez que tive contacto com esta obra, na altura ainda em gestação, foi no dia da defesa da Tese, Tese de Mestrado, que agora resulta em livro. Ou seja, neste livro. Confesso-vos sinceramente que a partir daquele momento nasceu em mim um fascínio pela obra, um fascínio que me levou a procurá-la e lê-la duma forma mais profunda.
Ao longo do período entre o dia da defesa da Tese e o dia de hoje, eu li e reli muitas vezes este trabalho. Os motivos foram vários. Entre eles, destaco a escolha e a orientação do tema; o círculo de interesse da obra; o seu carácter científico; e a arte com que os resultados foram apresentados. Magnifica obra:
O tema e a sua orientação. O tema e a sua orientação levou-me a pensar nos objectivos do Fórum Mundial de Educação para Todos, realizado em Dakar, Senegal, no ano 2000, sob a égide da UNESCO. A declaração Mundial de Educação para Todos, saída deste Fórum, no seu sexto objectivo, diz: “Melhorar todos os aspectos da qualidade da educação e assegurar a excelência para todos [os alunos], de forma a garantir a todos resultados reconhecidos e mensuráveis”. Como vedes, a preocupação de garantir uma maior qualidade de ensino a fim de assegurar a excelência de todos os alunos, sem exclusão, é uma preocupação globalizada. Para Portugal essa preocupação é expressa não só pela vontade da UNESCO, mas sobretudo pela necessidade actual do nosso país. Daí, a Lei de Bases do nosso Sistema Educativo, no seu 2.º artigo, n.º 2, defender a democratização do ensino português garantindo o direito a uma justa e efectiva igualdade de oportunidades, não só no acesso mas também no sucesso escolar. Este livro é um contributo, contributo valioso na busca de caminhos para uma escola com qualidade, uma escola com sucesso para todos.
Pelo círculo de interesse. Pelo Círculo de interesse, esta obra é para todos os professores, na medida em que cada professor é um potencial director de turma. Esta obra é para todos os directores de turma. Pelo círculo de interesse, esta obra é para os encarregados de educação. Ou seja, os encarregados de educação das pessoas que nós na escola chamamos de alunos. Esta obra é também para os alunos. Ainda pelo círculo de interesse, esta obra é para a comunidade envolvente: Autarquias, empresas e outras organizações.
O abandono escolar precoce, segundo Azevedo (1999), é um fenómeno sistémico reunindo quatro subsistemas: o indivíduo, a família, a escola e o meio envolvente. É neste triângulo sistémico onde encontramos as causas que determinam o abandono escolar precoce. É também neste mesmo triângulo sistémico onde pode residir a solução deste problema. Estes dois focos foram bem articulados nesta obra, com os olhos postos no director de turma, figura incontornável no sistema de ensino, fazendo de mediador entre alunos, professores e encarregados de educação.
Assim, cada subsistema – o indivíduo, a família, a escola e a comunidade envolvente – ao ler esta obra, ficará a saber o seu papel, tanto na origem do problema, bem como na sua solução. No caso do director de turma, figura de gestão intermédia, terá a oportunidade de reflectir e perceber até que ponto pode contribuir para a prevenção do abandono escolar precoce.
Pela ciência. Pelo lado da ciência, esta obra resulta de uma investigação que serviu para marcar o fim de um percurso académico: o mestrado em administração e organização escolar. Portanto, trata-se de uma obra feita com muito rigor e cientificidade. É um estudo de caso, realizado numa escola secundária do Município de Paredes. Parabéns Paredes por ter agora uma obra que retrata a sua realidade. Mas, pelo seu carácter, ela transcende as fronteiras de Paredes. É para todos: Paredes, região norte, Portugal e além fronteiras.
Pelo lado da arte. Pela arte, esta obra fez-me lembrar Boaventura de Sousa Santos. No seu livro «Um discurso sobre as ciências», que já vai na 15.ª Edição, falando do paradigma emergente das novas ciências, ele diz: “A criação científica no paradigma emergente assume-se como próxima da criação literária ou artística, porque à semelhança destas pretende que a dimensão activa da transformação do real […] seja subordinada à contemplação do resultado (obra da arte)”. Aqui estamos diante de uma verdadeira obra de arte. Uma bela peça de arte: escrita com a minúcia de um novelista e um olhar de um escultor. Rica em pormenores. Ao lê-la, gera prazer. Mas muito prazer.
Ela está dividida em cinco capítulos. Todos de simples leitura e fácil compreensão. Paredes muito ganha com esta obra. Mérito da Dr.ª Beatriz Castro por ter querido e sabido articular a problemática de:“O director de turma e o abandono escolar”. Fê-lo com inteligência e muito amor. O resultado é esta obra que em boa hora chega até nós. Qualquer leitor, muito ganhará com ela. E recomendo que a leiam.
Permitam-me que eu termine a minha intervenção com mais uma confissão pública. Ao longo da minha exposição ficou clara a minha admiração pela obra, em torno da qual estamos aqui reunidos. Mas esta minha admiração não se limita à obra. Estende-se também, e sobretudo, à sua autora. É neste sentido que eu gostaria de me dirigir especialmente à Dr.ª Beatriz Castro. Dr.ª Beatriz Castro, é encantador o seu ser pessoa. Acima de tudo, um Presidente de um Conselho Executivo de uma escola, um director de turma, um professor deve ser uma pessoa. É encantadora a sua força e o seu zelo como educadora. A obra que acaba de publicar é sobretudo fruto desses seus encantos. Esperamos que não seja a última. Esperamos sobretudo aprender muito mais consigo: pelo seu ser e pelos seus escritos.
Renovo os meus votos de gratidão pelo convite. Obrigado à Dr.ª Beatriz Castro, obrigado à fundação A LORD, obrigado a todos aqueles que fizeram com que esta obra estivesse aqui e agora. Obrigado a todos os presentes.
Paredes, 19 de Abril de 2008










