quarta-feira, 29 de abril de 2020

FOTO OFICIAL DA DEFESA DA TESE DE DOUTORAMENTO

No Centro: André Vela Ngaba, com os membros do Júri. Defendeu a sua tese de doutoramento em Ciências da Educação na Universidade Católica Portuguesa, Porto, no dia 03 de Maio de 2018. Recordação. A tese encontra-se no repositório da Universidade: http://hdl.handle.net/10400.14/29434

sexta-feira, 30 de junho de 2017

BREVEMENTE ESTARÃO NAS LIVRARIAS DE ANGOLA AS SEGUNDAS EDIÇÕES DOS LIVROS:

  • ANGOLA: A VOZ PROFÉTICA DOS BISPOS DA CEAST. Uma antropologia para a educação para a paz. Edição da SEDIECA

  • POLÍTICAS EDUCATIVAS EM ANGOLA (1975-2005). Entre o global e o local: o sistema educativo mundial. Edição da SEDIECA
DO AUTOR ANDRÉ VELA NGABA






domingo, 13 de janeiro de 2013


JÁ PODE ADQUIRI-LO


Em Luanda principalmente na livraria das Irmãs Paulinas e Lello,  no Huambo na livraria dos Frades Menores Capuchinhos, no Soyo na livraria Texto Editora, e em Mbanza Congo na livraria da Sé-Catedral.

É um livro que traz ao caro leitor [estudante e/ou investigador em ciências de educação ou políticas] uma reflexão rigorosa e imparcial sobre as políticas educativas angolanas das últimas décadas, à luz das dinâmicas do Sistema Educativo Mundial. Sendo Angola um país recentemente independente, com sérias dificuldades no sector da educação e com uma reforma educativa em curso, este livro vem suscitar um debate tendo como um dos objectivos levar o país a tomar melhores estratégias perante o fenómeno da transnacionalização de políticas educativas, um fenómeno que caracteriza a nível mundial as actuais reformas educativas. Recomendamos-lhe a sua aquisição e leitura. Desde já, votos de boa leitura. Obrigado.

PUBLICADO NO DIA 7 DE NOV. DE 2012 EM MBANZA CONGO (ANGOLA). ECOS DO LIVRO NA IMPRENSA NACIONAL ANGOLANA


Políticas educativas em Angola retratadas em livro
Fonte: Angop no dia 07 de Novembro de 2012 - http://www.portalangop.co.ao/motix/pt_pt/noticias/educacao/2012/10/45

M'banza Kongo - Uma obra literária intitulada "Políticas educativas em Angola (1975-2005), entre o global e o local, o sistema educativo mundial", de autoria do padre André Vela Ngaba, sacerdote da Diocese de M'banza Kongo, província do Zaire, foi lançada hoje, quarta-feira, nesta cidade, em cerimónia testemunhada pelo governador provincial, José Joanes André.

O lançamento do livro, que tem 289 páginas, subdivididos em cinco capítulos, enquadrou-se nas actividades programadas para saudar o 37.º aniversário da proclamação da independência nacional, a assinalar-se no próximo dia 11 de Novembro, em todo o país.

O padre, que é mestre em ciências de educação na área de administração e organização escolar pela faculdade de educação e psicologia da universidade católica portuguesa-Pólo da Foz do Porto, explicou, na ocasião, que a obra de investigação científica é fruto do seu trabalho de defesa de tese, realizado há sete anos.

O livro, de acordo ainda com o autor, traz uma reflexão rigorosa e imparcial sobre as políticas educativas angolanas das últimas décadas, à luz das dinâmicas do sistema educativo mundial.

A apresentação da obra, editada pela SEDIECA, coube ao docente universitário cubano da escola superior politécnica de M'banza Kongo Martins Gonzales Gonzales.

O livro tem como objectivo contribuir na tomada de melhores estratégias no país, perante o fenómeno da transnacionalização de políticas educativas, notórias em reformas educativas ao nível do mundo.

O padre André Ngaba é também licenciado em teologia sistemática pela universidade católica portuguesa e actualmente lecciona na escola superior politécnica de M'banza Kongo, da Universidade 11 de Novembro.

Dirigindo-se aos presentes nesta cerimónia, o governador do Zaire, José Joanes André,  considerou o livro de uma contribuição valiosa aos esforços do Executivo angolano, que visam oferecer uma educação de qualidade no país.

Segundo disse, "sem educação não há desenvolvimento possível. Ainda que o país seja rico em recursos naturais, sem uma sapiência seria impossível transformá-los em riqueza real".

Este é o segundo trabalho bibliográfico do padre André Vela Ngaba, após ter publicado, em 2008, o livro "Angola: a voz profética dos bispos da CEAST (1975-2002); Uma antropologia teológica para a educação para a paz".

Membros do governo local, autoridades tradicionais, entidades eclesiásticas, docentes e estudantes, entre outros convidados, com destaque também para o bispo da diocese de M'banza Kongo, dom Vicente Carlos Kiaziku, presenciaram o acto do lançamento do livro.


Padre André Ngaba lança obra científica
Fonte: Jornal de Angola do dia 9 de Novembro de 2012 - http://jornaldeangola.sapo.ao/17/39/padre_andre_ngaba_lanca_obra_cientifica

Uma obra literária intitulada “Políticas educativas em Angola 1975-2005, entre o global e o local, o sistema educativo mundial”, da autoria do padre André Vela Ngaba, da diocese de Mbanza Congo, foi lançada naquela cidade.

O lançamento do livro, com 289 páginas e cinco capítulos, enquadrou-se nas actividades programadas para saudar o 37ºaniversário da proclamação da Independência Nacional, que se assinala no próximo domingo, dia 11 de Novembro.

O padre, que é mestre em ciências de educação na área de administração e organização escolar pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, Porto, explicou que a obra de investigação científica é fruto do seu trabalho de defesa de tese, realizado há sete anos.

O livro traz uma reflexão rigorosa e imparcial sobre as políticas educativas angolanas das últimas décadas, à luz das dinâmicas do sistema educativo mundial. A apresentação da obra, editada pela Sedieca, coube ao docente universitário cubano da Escola Superior Politécnica de Mbanza Congo, Martins Gonzalez.

O livro tem como objectivo contribuir para a tomada das melhores estratégias perante o fenómeno da transnacionalização de políticas educativas, notórias em reformas educativas no mundo. O padre André Ngaba é também licenciado em teologia sistemática pela Universidade Católica Portuguesa e actualmente é professor da Escola Superior Politécnica de Mbanza Congo, da Universidade 11 de Novembro.

O governador da província do Zaire, José Joanes André, considerou o livro uma contribuição valiosa aos esforços do Executivo para oferecer uma educação de qualidade aos angolanos. 

“Sem educação não há desenvolvimento possível. Ainda que o país seja rico em recursos naturais, sem sapiência é impossível transformá-los em riqueza real”, disse.

O bispo da diocese de Mbanza Congo, D. Vicente Carlos Kiaziku, manifestou satisfação pelo lançamento do livro, porque o seu autor é o chanceler na diocese, “mas sobretudo porque traz à luz do dia o que foi feito no domínio da educação e o que deve ser feito para que os angolanos tenham um ensino reconhecido no mundo”.


Dom Vicente Carlos Kiazico apela a jovens e ao mundo estudantil a criarem hábitos de leitura. 
Fonte: jornal apostolado do dia 9 de Novembro de 2012 (on-line)

O Prelado lançou o apelo, esta quarta-feira, 7/11, durante o acto do lançamento do livro “Politicas Educativas em Angola 1975-2005, entre o global e o local, o sistema educativo mundial”, da autoria do Padre Vela Ngamba, chanceler da cúria diocesana.

Na sua dissertação, Dom Vicente Carlos Kiazico, manifestou a sua satisfação e honra pela apresentação de mais uma obra, fruto do trabalho investigativo de um dos sacerdotes do seu clero diocesano, por sinal, seu colaborador directo.

“Estou satisfeito por saber que a obra vai contribuir, para o melhoramento da educação em Angola”, disse.
Numa altura em que Angola procura implementar a sua reforma no sector da educação, acrescentou, “este livro veio, oportunamente, para dar o seu modesto, mas valioso contributo a esta reforma. Pois, para se perspectivar bem o futuro, é necessário conhecer-se bem o nosso passado e o presente. O passado recente, do qual uma boa parte de nós foi promotora ou viveu as consequências”. 

“Conhecer criticamente o passado, para não se repetir os erros cometidos. Afirmar, fortemente, os seus lados positivos e abrir-se ao global, com um sadio discernimento é sinal de sabedoria”, frisou. 

Dom Vicente Carlos Kiazico, salientou o facto da apresentação do livro, no quadro das festividades do trigésimo sétimo aniversário da nossa Independência, que se assinala no dia 11 de Novembro.

Na visão do Bispo, o facto vem remarcar “a necessidade de apostarmos, mais uma vez, na criação do homem novo, que será fruto de uma educação e formação de qualidade, com base na dignidade da pessoa humana”.

Para nós os cristãos, explicitou, o homem está ao centro das nossas preocupações. Neste âmbito, a educação e formação tem que ser inspirada do Evangelho, fonte de verdadeiros princípios éticos, que levam o homem para mais alta dignidade e incentivam o amor ao próximo.

O Prelado sugeriu a todos para adquirirem o livro, para que se possa fazer dele um instrumento de debate e reflexão que ajude a formar o homem novo. 

Foto do autor durante a cerimónia de apresentação do livro
Fonte: jornal de Angola do dia 9 de Nov. 2012

quinta-feira, 27 de outubro de 2011


POLÍTICAS EDUCATIVAS EM ANGOLA


É um livro que traz ao caro leitor [estudante e/ou investigador em ciências de educação ou políticas] uma reflexão rigorosa e imparcial sobre as políticas educativas angolanas das últimas décadas, à luz das dinâmicas do Sistema Educativo Mundial. Sendo Angola um país recentemente independente, com sérias dificuldades no sector da educação e com uma reforma educativa em curso, este livro vem suscitar um debate tendo como um dos objectivos levar o país a tomar melhores estratégias perante o fenómeno da transnacionalização de políticas educativas, um fenómeno que caracteriza a nivel mundial as actuais reformas educativas. Recomendamos-lhe a sua aquisição e leitura. Desde ja, votos de boa leitura. Obrigado.


sexta-feira, 4 de março de 2011

ANGOLA, OS CONSTRUTORES DAS REFORMAS EDUCATIVAS: O PAPEL DOS PROFESSORES NA IMPLEMENTAÇÃO DO NOVO QUADRO EDUCATIVO*
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O sucesso das reformas educativas não está somente em bons programas ou boas ideias reformistas, aliás, bons programas e boas ideias geralmente as temos. Está, sobretudo, na força dos actores que as concebem e as implementam. Está numa comunicação coordenada entre todos os actores envolvidos numa determinada reforma, tanto os do topo como os da base. Actualmente, a nova ordem hierárquica administrativa (de baixo para cima), fruto do modelo democrático e descentralizado, leva-nos a relacionar o papel dos actores das bases com o sucesso ou não das reformas educativas implementadas em diferentes países do mundo.

Trata-se, sobretudo, do envolvimento dos professores na concepção e implementação das reformas educativas, um envolvimento que requer informação, negociação e formação. Ou seja, parafraseando António Nóvoa, é necessário que os professores sejam “chamados a desempenhar o papel de agentes da reforma” (Nóvoa, 1992:67); eles são os agentes inovadores na escola (Canário, 2005; ver também Ngaba, 2006). Em outras palavras, em qualquer reforma que vise a melhorar a qualidade da educação, o professor é de crucial importância. A parceria com os professores é apontada pela UNESCO como fazendo parte do leque dos elementos que têm impacto directo sobre o possível êxito das reformas educativas, visando ao aperfeiçoamento da qualidade da educação (UNESCO, 2005a:29).

Daí em muitos casos, as reformas dos sistemas educativos incidirem com as reformas na formação dos formadores (professores) procurando, assim, corresponder às transformações desencadeadas no sistema de ensino. A ênfase dada a certas componentes de formação de formadores encontra a sua justificação na necessidade de incentivar a sua preparação nas áreas consideradas pertinentes pelas reformas educativas. Assim, num sistema educativo em que a ênfase recaia no técnico-funcionalismo é de esperar que a preparação dos docentes dê prioridade, por exemplo, a temáticas ligadas ao desenvolvimento económico (Popkewitz & Pereyra, 1992). O mesmo pode dizer-se do multiculturalismo e do bilinguismo (Popkewitz & Pereyra, 1992), ou dos modelos de organização escolar (Pilipovski, 1992). Este tipo de formação abrange tanto a formação inicial como a contínua.

Dentro das dinâmicas do Sistema Educativo Mundial realça-se o papel das organizações transnacionais em envolver os professores nas reformas educativas actuais a nível mundial. No caso do terceiro mundo, o destaque vai para a UNESCO e a União Europeia. Tem-se verificado um esforço da parte, sobretudo, da UNESCO, na formação dos professores do terceiro mundo em busca do sucesso das reformas educativas aí implementadas. Por exemplo, o Instituto Internacional para o reforço da capacidade da UNESCO na África desenvolve programas de formação docente utilizando metodologias de formação à distância; em alguns países têm sido criados programas de formação de docentes no âmbito de formação inicial e o fomento de acções que visam motivar os professores no exercício das suas funções (UNESCO, 2005b). Ou melhor, a UNESCO tem estado a colaborar “com distintos países sobre como optimizar os recursos da educação nos ensinos médios e superior, com a finalidade de formar professores de bom nível” (UNESCO, 2005b:7).

Perrenoud considera a formação inicial e contínua dos professores como uma das alavancas mais importantes na concretização das mudanças nas escolas, uma vez que a inovação não se faz por decreto, mas sim em virtude de uma livre convicção (Perrenoud, 2002). Este autor aponta dois factores para defender a aposta na formação inicial e contínua dos professores: ela actua sobre os valores e as representações e fornece saberes e competências que tornam as mudanças possíveis. É nesta lógica que decorrem muitos programas promovidos por organizações transnacionais que visam a capacitar os professores dos países em vias de desenvolvimento (Perrenoud, 2002:10).

Em Angola temos vindo assistir a implementação da nova reforma educativa, acompanhada por actividades de formação contínua dos professores, principalmente os do ensino básico e secundário, tanto do I como do II ciclo. Não é nossa intenção questionar os moldes como isto tem decorrido, embora constatemos no terreno uma significativa indiferença por parte de alguns professores face aos desafios da inovação escolar que devem acompanhar o quadro da nova reforma educativa angolana. Contudo, é pertinente que se questione o não investimento sério numa revisão séria dos currículos do ISCED a nível nacional, em vista a capacitação dos novos professores nos valores, representações, saberes e competências sobre o quadro da nova reforma educativa em Angola. Ou seja, está o ISCED devidamente preparado para fornecer ao mercado angolano professores com uma formação inicial de nível, e capazes de se envolver na inovação das nossas escolas, em vista ao sucesso da nova reforma educativa angolana? O desafio é nosso, é dos agentes do ensino e educação em Angola. O que estamos a espera?
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BIBLIOGRAFIA:
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AZEVEDO, J. (2000). O ensino secundário na Europa. O neoprofissionalismo e o sistema educativo mundial. 1.ª Edição. Porto: ASA Editora

CANÁRIO, R. (2005). O que é a escola? Um olhar sociológico. Porto: Porto Editora

NGABA, A. (2006). Transnacionalismo e políticas educativas. O caso angolano (1975-2005). Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa para a obtenção do grau de Mestre em ciências da educação. Porto: Universidade Católica. Documento policopiado

NÓVOA & POPKEWITZ (1992). Reformas educativas e formação de professores. Lisboa: Edições EDUCA

NÓVOA, A. (1992). A reforma educativa portuguesa: questões passadas e presentes sobre a formação de professores. In NÓVOA & POPKEWITZ (1992). Reformas educativas e formação de professores. Lisboa: Edições EDUCA. pp. 57-69

PERRENOUD, P. (2002). Os sistemas educativos face às desigualdades e ao insucesso escolar: uma incapacidade mesclada de cansaço. Université de Genève. Edição on-line: www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/php_2002/2002_14.html 02.12.2005

PILIPOVSKI, V. (1992). Reformas educativas e formação de professores: o caso soviético. In NÓVOA & POPKEWITZ (1992). Reformas educativas e formação de professores. Lisboa: Edições EDUCA. pp. 135-142

POPKEWITZ, T.S. & PEREYRA, M.A (1992). Práticas de reforma na formação de professores em oito Países: esboço de uma problemática. In NÓVOA & POPKEWITZ (1992). Reformas educativas e formação de professores. Lisboa: Edições EDUCA. pp. 11-40

UNESCO (2005a). Educação Para Todos. O imperativo da qualidade. Relatório conciso. Paris: Edição on-line:www.unesco.org.br/2005.11.12

UNESCO (2005b). A UNESCO e a Educação. Brasília: UNESCO Editora. Edição on-line: www.unesco.org.br./ 2005.11.20

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*Síntese, com algumas adaptações, de um dos itens da Tese de Mestrado de Ngaba (Ngaba, 2006)
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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Sete pecados capitais dos educadores*

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“Todos erram: a maioria usa os erros para se destruir; a minoria, para se construir. Estes são os sábios.” Nós vamos procurar ser os sábios actuais, ou seja, caro(a) educador(a), procure ser um dos sábios actuais. Só terá a ganhar… tente…
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1. Corrigir publicamente

Conceito:
  1. Expor o defeito de uma pessoa diante dos outros, ou fazer uma exposição pública do erro do educando
  2. Ofender os defeitos físicos de alguém

Conseqüências:

  1. Produzir humilhação e traumas complexos, difíceis de serem sarados
  2. Baixa auto-estima (sentimento ou preconceito de inferioridade)
  3. Perda do encanto pela vida
  4. Depressão

Conselhos úteis:

  1. Só se deve intervir publicamente quando o erro é público. Mesmo assim, é necessária a prudência, evitando assim colocar mais lenha no calor das tensões
  2. Não humilhar publicamente alguém, ainda que seja para nossa defesa
  3. Não ofender os defeitos físicos de alguém
  4. Ainda que alguém o decepcione, não o humilhe, chame-o em particular e corrija-o
  5. Um educador deve valorizar mais a pessoa que erra do que o erro da pessoa

2. Expressar autoridade com agressividade

Conceito:

  1. Uso da violência para corrigir
  2. Imutabilidade e teimosia (outra forma do uso da violência)

Conseqüências:

  1. Perda do amor por parte do educando, substituído pelo temor
  2. Controlo da inteligência ou sufoco da lucidez
  3. Reprodução da reacção do educador por parte do educando no futuro (formar pessoas que também reagirão com violência = formar violentos)

Conselhos úteis:

  1. Dialogar com os educandos (“o dialogo é uma ferramenta educacional insubstituivel)
  2. A verdadeira autoridade entre educador-aluno é conquistada com inteligência e amor
  3. Gestos como beijo, e outros de afecto, levam os educandos a acreditar que não correm o risco de perder seus educadores ou pais, nem tão pouco perder o respeito deles
  4. Não devemos ter medo de perder nossa “autoridade”, devemos ter medo de perder nossos filhos, ou educandos

3. Ser excessivamente crítico: obstruir a infância da criança

Conceito:

  1. Criticar imediatamente cada falha ou nota ruim ou atitude insensata
  2. Fazer uma seqüência de críticas a um indivíduo, às vezes em público
  3. Comparar seus comportamentos com os dos outros educandos
  4. Criticar obsessivamente alguém
  5. Maquinação do educando

Conseqüências:

  1. Infelicidade, timidez e fragilidade escondido por detrás da seriedade e da eticidade;
  2. Falta de alegria e espontaneidade entre o educador e o educando;
  3. Tristeza
  4. Pavor da crítica
  5. Medo de errar (medo de correr riscos)
  6. Obstrução da infância

Conselhos úteis:

  1. Não critique excessivamente e não compare um educando com os seus colegas porque cada um é um ser único do teatro da vida
  2. A comparação só é educativa quando é estimulante e não depreciativa;
  3. Dê aos seus filhos/ educandos uma liberdade para terem as suas próprias experiências, mesmo que isto inclua riscos, fracassos, atitudes tolas e sofrimento;
  4. Deixar certa margem de erro do educando para que este reconheça a sua fragilidade, amadureça com os erros, aprenda a tolerar, perdoar e a incluir.
  5. “A pior maneira de preparar os jovens para a vida é colocá-los numa estufa e impedi-los de errar e sofrer”. “...Temos de ter em mente que os fracos condenam, os fortes compreendem, os fracos julgam, os fortes perdoam. Mas não é possível ser forte sem perceber nossas limitações”.

4. Punir quando estiver irado e colocar limites sem dar explicações

Conceito:

  1. Deixar escravizar-se pela ira
  2. Agir com a temperatura da emoção
  3. Lidar com a falha ignorando de que ela é uma excelente oportunidade para o educador revelar maturidade e sabedoria

Conseqüências:

  1. Baixa auto-estima do educando
  2. Perda do valor da sua vida
  3. Registo na memória de factos desagradáveis

Conselhos úteis:

  1. As crianças sempre cometem erros, e o importante é o que fazer com eles
  2. Jamais pune quando estiver irado
  3. A dor da palmada não estimula a inteligência dos educandos
  4. A melhor forma de ajudá-los é levá-los a repensar suas atitudes
  5. Praticando essa educação você estará desenvolvendo nos educandos o sentido da liderança, tolerância, ponderação e segurança nos momentos turbulentos
  6. Discuta as causas das falhas com os educandos e lhes dê crédito
  7. A melhor punição é aquela que se negocia; confie na inteligência dos seus educandos
  8. A maturidade de uma pessoa é revelada pela forma inteligente com que ela corrige alguém. Jamais coloque limites sem dar explicações. Para educar use primeiro o silêncio e depois as idéias. Elogie o jovem antes de corrigi-los ou criticá-los, assim ele acolherá melhor as suas observações.

5. Ser impaciente e desistir de educar

Conceito:

  1. Achar que é perda de tempo investir mais num aluno que repete com freqüência os mesmos erros
  2. Desistir de conceder mais uma chance para o educando mudar
  3. Querer apenas educar jovens dóceis
  4. Desistir dos alunos “insuportáveis”

Conseqüências:

  1. Perda do direito de estudar e de ter mais uma chance para mudar de vida

Conselhos úteis:

  1. Em muitos casos, a indisciplina do educando é uma reacção desesperada de quem estava pedindo ajuda
  2. Uma agressividade do educando pode ser um eco da agressividade que recebe em algum lugar
  3. O indisciplinado é vítima e não tanto um réu
  4. Ele vive num mundo sem cores
  5. Educadores brilhantes e fascinantes não desistem dos seus educandos ainda que os decepcionem ou não lhes dêem retorno imediato
  6. Por detrás de cada aluno arredio, de cada jovem agressivo, há uma criança que precisa de afecto

6. Não cumprir com a palavra

Conceito:

  1. Com medo de frustrar, prometer o que não pode cumprir
  2. Com a preocupação em evitar transtornos momentâneos, fazer promessas excessivas
  3. Dissimular e não cumprir com a palavra
  4. Não ser honesto com os educandos
  5. Medo de dizer não

Conseqüências:

  1. Perda do respeito pelo educador
  2. Possibilidade do educando projectar no ambiente social uma desconfiança fatal
  3. Possibilidade de se desenvolver uma emoção insegura e paranóica achando que todo o mundo o quererá enganar

Conselhos úteis:

  1. A frustração é importante para o processo de formação da personalidade
  2. Não dissimule suas reacções, seja honesto com os educandos
  3. Cumpra o que promete, ou não prometa o que não consegue cumprir
  4. Diga “não” sem medo
  5. A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído

7. Destruir a esperança e os sonhos

Conceito:

  1. Fazer acusações que confinam o educado ao fracasso
  2. Considerar o eduncando como um irremediável
  3. Ser cordeiro com os alheios e leão com os educandos
  4. Ferir continuamente seus educandos

Conseqüências:

  1. Perda da esperança e dos sonhos e, por conseguinte, dificuldades em superar seus conflitos
  2. Gravitação em torno das misérias emocionais e das suas derrotas
  3. Depressão do educando
  4. Dificuldade em encontrar dias felizes
  5. Falta de motivação para caminhar

Conselhos úteis:

  1. Não importa o tamanho dos nossos obstáculos, mas o tamanho da motivação que temos para superá-los
  2. Um eu passivo, sem esperança, sem sonhos, deprimido, poderá carregar os seus problemas até ao túmulo
  3. Como educador, venda sempre esperança

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Trabalho em grupo...

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*Comunicação feita em Janeiro de 2010, no "Seminário pedagógico", realizado no âmbito da formação permanente dos professores da Escola Missionária "Rosa Gattorno" no Soyo. Baseou-se principalmente nos "Sete Pecados Capitais dos educadores" apresentados por Cury (2003).

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Bibliografia

CURY, A. (2003). Pais brilhantes. Professores fascinantes. A educação de nossos sonhos: formando jovens felizes e inteligentes. 15ª Edição. Rio de Janeiro: Sextante Editora


sábado, 8 de janeiro de 2011

A NOVA REFORMA EDUCATIVA EM ANGOLA: Implicações nas escolas*
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1 – Conceito de Reforma educativa

  • Transformação ou transformações que introduzem mudanças fundamentais nos objectivos educativos, normas e nas instituições.
  • Tentativa de reconstrução total de um sistema educativo tendo em conta uma determinada política e uma concepção educativa.
  • Mudança em larga escala, com um carácter imperativo para o conjunto do território nacional, implicando opções políticas, redefinição de finalidades e objectivos educativos, alterações estruturais no sistema a que se aplica, em que as decisões pertencem aos órgãos legislativos nacionais.
  • O seu processo é centrado ao nível institucional e exógeno a escola.
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2 – Conceito de inovação
  • É diferente do da reforma. Processo de mudança mais restrito com carácter sectorial ou pontual. É centrado a nível da escola, endógeno a escola e existe uma forte relação próxima entre quem a concebe, decide e a executa.
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3 – Tendências actuais das reformas educativas a nível mundial

Durante estas últimas duas, ou três décadas, o mundo tem assistido uma vasta gama de reformas de sistemas educativos, tentando adaptá-los às novas necessidades tanto sociais, económicas como formativas. Elas incidem principalmente no novo papel da escola, no currículo e no ensaio de novos modelos políticos e administrativos:
  • Tendências técnico-funcionalistas: tendência de ligar fortemente a escola ao melhoramento da qualidade de vida. Ou seja, supra valorização da correspondência entre a educação e a economia.
  • Reformas curriculares: ampliação do período da educação obrigatória, para uns de 4 para 6, outros de 6 para 9, outros ainda de 9 para 12 anos. Outros aspectos:
  1. Prevenção a epidemias: a escola assume o papel de “vacina social”. A escola é hoje chamada a enfrentar duas realidades: o HIV e os conflitos armados. No que concerne ao HIV, a escola é chamada a moldar os comportamentos dos adolescentes e jovens no seu combate. Na escola são introduzidas disciplinas que visam combater o HIV. Em alguns casos são disciplinas curriculares, noutros casos, são extra-curriculares. Quanto aos conflitos armados, os currículos devem dar uma atenção especial a informações preventivas sobre minas terrestres, actividades culturais e valores que visem a promoção da paz.
  2. línguas nacionais (bilinguismo): o sucesso do processo ensino-aprendizagem passa pela comunicação (língua falada e gestual). Actualmente, dá-se ênfase à inclusão de línguas nacionais no ensino, em busca da sua qualidade. Elas actualmente são um meio e objecto de aprendizagem. "O direito de ser alfabetizado em língua materna deve ser implementando e respeitado".
  • Novos modelos educativos: do elitista e centralizado ao democrático e descentralizado. O modelo elitista e centralizado consiste na uniformidade curricular (mesmos conteúdos programáticos obrigatórios para todos os alunos), metodologias dirigidas para todos os alunos, avaliação descontínua, uniformidade dos espaços educacionais, direcção unipessoal (figura do director da escola). Problemas cada vez mais complexos (principalmente o insucesso, abandono e o absentismo escolar) fizeram com que muitos países tentassem reformar as suas políticas educativas. Actualmente primam pelo modelo democrático e descentralizado, tendo como um dos primeiros objectivos garantir processos de ensino e aprendizagem diferenciados, atendendo a realidade de cada país ou aluno. Este modelo permite não só a escolarização mas também a instrução de todos. Consiste sobretudo na descentralização do conteúdo educativo, na atenção focalizada no aluno proporcionando-lhe métodos educativos que atendam a sua diversidade.
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4 – As reformas Educativas em Angola
  • Tempo colonial - Modelo elitista e centralizado
  • 1975 – Modelo elitista e centralizado
  • 1992ss – Modelo democrático e descentralizado(?)
  • A escola e a reforma educativa (o que se espera da escola perante o quadro da nova reforma educativa):
  1. Projecto educativo que tenha em conta o contexto particular da escola
  2. Projecto curricular de turma que tenha em conta a particularidade de cada turma
  3. Garantir processos de ensino e aprendizagem (métodos) diferenciados, atendendo a realidade de cada aluno
  4. Adaptação dos manuais de ensino a realidade de cada escola ou dos alunos
  5. Aplicação da avaliação contínua no contexto da sala de aula
  6. Implementação de actividades extra-curriculares (combate as epidemias e os conflitos armados)
  7. Aplicação do bilinguismo: kimbundu, umbundu, kikongo, etc.
  8. Criatividade de cada professor no contexto da escola, ou da sala de aula
  9. Maior engajamento entre a escola e a comunidade envolvente
  10. Melhor relacionamento entre a escola (professor) e os encarregados de educação
  11. Uma escola e um professor multifacetado: que o(a) professor(a) seja ao mesmo tempo um(a), educador(a), psicólogo(a), sociólogo(a), mãe(pai), avô, avó, amigo, amiga, irmão, irmã, etc., do aluno
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5 - Compromissos a tomar
  1. Diminuir ao máximo o insucesso, o abandono e o absentismo escolar
  2. Escolarizar e educar todos
  3. Garantir um serviço escolar com qualidade para todos
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*Comunicação feita em Janeiro de 2010, no "Seminário pedagógico", realizado no âmbito da formação permanente dos professores da Escola Missionária "Rosa Gattorno" no Soyo. Baseou-se principalmente no resumo da segunda parte da tese de Mestrado de Ngaba (2006).
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BIBLIOGRAFIA

NGABA, A. (2006). Transnacionalismo e políticas educativas. O caso angolano (1975 -2005). Dissertação apresentada a Universidade Católica Portuguesa para a obtenção do grau de Mestre em ciências da educação. Porto: Universidade Católica. Documento policopiado

CANÁRIO, R. (2005). O que é a escola? Um olhar sociológico. Porto: Porto Editora



quarta-feira, 8 de dezembro de 2010












DESEJO-LHE FELIZ NATAL

E UM 2012 COM MUITO SUCESSO

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

domingo, 12 de julho de 2009

Apresentado o livro "Angola: a voz profética dos Bispos da CEAST (1975-2002)"


No dia 10 de Julho, pelas 16h.00, no Lar da CEAST em Luanda, foi apresentado o livro "Angola: a voz profética dos Bispos da CEAST (1975-2002). Uma antropologia teológica para a educação para a paz". Falando na cerimónia do lançamento do livro, o orador principal, apresentador da obra, o Pe. António Lungieki Pedro Bengui, Chanceler da Arquidiocese de Launda, destacou o seguinte:
Excias. Srs. Bispos
Sra. Deputada
Excia. Sr. Vice-Ministro do MAPESS
Revdos. Srs. Padres
Revdas. Irmãs
Caros convidados
Senhoras e senhores,


1- Queremos justificar a nossa presença, aqui e neste momento, querendo ser testemunhas da leitura e estudo do conteúdo dos Documentos da CEAST (em particular sobre as Cartas, Mensagens, Notas e Exortações Pastorais) publicados desde o ano de 1975 até 2002; fruto do trabalho de investigação científica iniciado pelo meu caro amigo e colega Revdo. Pe. André Vela Ngaba.

Coincidente ou tecnicamente, a delimitação do percurso investigativo representa um pormenor de obrigação visual: 1975 e 2002. Ano da Independência de Angola e o de fim de guerra de armas, respectivamente. Esta técnica científica exigiu o autor e exige-nos a nós testemunhas, fixar particular atenção no acesso do País Angola às responsabilidades da libertação política pelos caminhos da Paz e da autonomia soberana. Os contrastes de programas, as divergências de métodos e as diferenças de mentalidades, tornaram difícil, durante quase trinta anos, o seguimento dos caminhos pensados ab initio.

Passado este período e para não deixar perder a razão de ser dum Povo, a união e conjugação de esforços impoem-se agora ainda com mais vigor, para todos os angolanos empreenderem a tarefa da estruturação da Pátria, da condução do Povo – soberano e responsável, na compreensão do próprio homem, na reconstrução digna da sociedade pelos caminhos da Paz, Justiça e Desenvolvimento.

2- Desde o ano de 1975, ponto de partida da investigação do nosso autor, a Igreja – CEAST – sempre se preocupou com o sector da libertação do homem: procurou compreender e promover o ser humano – sujeito querido e preferencial, entre todos os seres, do Criador. Que tipo de homem o Pe. André encontrou nos Documentos da CEAST?

Os Bispos apresentam, nos Documentos Pastorais, uma visão profundamente cristã do homem; por isso mesmo, antropologia teológica. Consideram o homem criatura de Deus que, no grande cortejo dos seres, foi considerado preferencial pelo próprio criador, dotando-o de cabeça para pensar, liberdade e consciência para tomar decisões e vontade para apreciar com critério avaliativo, o bem escolhido.

Nos Documentos dos Bispos da CEAST, está, segundo o Pe. André, uma antropologia de Fé, de Esperança e dos Desafios (cfr. Págs. 53ss). Deus cria o homem livremente, e na plena liberdade. Liberdade e responsabilidade se conjugam e possibilitam a pessoa humana exprimir a sua liberdade e relacionar-se na amizade com Cristo. Pensamos, obviamente, nos princípios da dignidade da existência pessoal e da defesa da vida. Negar essa verdade (como aconteceu na história... deste País) é obstacular a “quaestio de homine” e tentar construir uma antropologia sem fundamento.

Assim como a natureza da Igreja é a Missão, ela reconhece-se, ao mesmo tempo, ser portadora de uma verdade que não vale só para alguns, mas verdade e valor universais. É o que ensina a Igreja. E é o que dá fundamento aos direitos universais do homem, reconhecidos e declarados nos Instrumentos nacionais internacionais, sustentados por um pensamento sobre a centralidade da pessoa humana, com base na Lei e no Direito Natural. Esse projecto passa pelo direito e defesa da vida, liberdade, segurança, felicidade e paz que, todos, segundo o princípio de subsidiariedade, devemos garantir e defender contra a invasão por parte dos outros.

3- Educação para a Paz.
A perspectiva da Igreja (representada pelos Bispos da CEAST) na compreensão integral do ser humano, caracterizou-se principalmente na “apresentação do humanismo cristão ao angolano como”, segundo o autor, “único caminho para uma verdadeira paz, a paz que Jesus Cristo nos deixou”. A paz como dom; a paz como fruto da compreensão no esforço de cada angolano.

Esta é uma tarefa de todos os dias, no dizer do Concílio Vaticano II (cfr. GS. 78). Eis a razão de uma antropologia dos desafios... que requer de todos nós uma atitude reconciliadora, responsável e de mudança; requer de nós uma “outra voz profética”.

Termino, para não substituir a vossa leitura profética, perguntando: QUAL É A VOZ PROFÉTICA NESTA FASE DE RECONSTRUÇÃO NACIONAL?

- Não bastam os contratos de parcerias, nem avaliações de duas ou três riquezas que podem não resultar do trabalho do homem; mas, em tudo e em todos os programas de educação e reconstrução, colocar a PRIORIDADE NO HOMEM, NO DESENVOLVIMENTO, NO PROGRESSO E NO BEM-ESTAR. Aqui estão outros PROJECTOS para FUTURAS VOZES.

- Obrigado Pe. André, pela iniciativa neste projecto de assuntos que dizem respeito, não só à Igreja angolana, mas a todo o homem universal.

A todos muito obrigado e os meus votos de BOA LEITURA!

Luanda, aos 10 de Julho de 2009

Pe. António Lungieki Pedro Bengui,
Chanceler
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Por sua vez, o autor da obra, André Vela Ngaba, teceu as seguintes considerações:

Excelência e Reverendíssima Dom Luís Scarpe, Bispo Emérito de Ndalatando,
Excelência e Reverendíssima Dom Filomeno, Bispo da Diocese de Cabinda,
Reverendo Padre Dionísio, Secretário da CEAST para área da pastoral,
Reverendo Padre António Lunguieki, Chanceler da Arquidiocese de Luanda,
Excelentíssimo Senhor Sebastião Lukinda, Vice-Ministro do MAPESS,
Excelentíssimo Senhor Zeferino Estevão Juliana, Presidente da ALUAMPINDA,
Dona Lúcia, representante da ALUAMPINDA,
Minhas Senhoras e meus Senhores,
Ilustres convidados,

É uma honra para a ciência, para o povo angolano e para todos os amantes da paz estarmos aqui reunidos em torno desta obra. Angola: a voz profética dos Bispos da CEAST (1975-2002). Uma antropologia teológica para a educação para a paz.

Há cinco anos, na Universidade Católica Portuguesa, pólo da foz, situado na cidade do Porto, eu escrevia uma tese que tinha como título «O homem nos documentos pastorais dos bispos da CEAST (1975-2002). Uma leitura teológica em busca de uma antropologia para a educação para paz». Feita a defesa desta tese em 2004, na qual surgiu a recomendação, por parte do júri, de publicá-la em livro, surgiu um novo desafio. O de transformar a tese em livro. Para isto tive que simplificar o trabalho tornando-o mais acessível para que todos o pudessem compreender. Esta parte durou praticamente quatro anos. Ou seja, só acabou no ano passado.

Reflectir no que foi a pastoral dos Bispos da CEAST durante o tempo de guerra em Angola é um dos desejos que caracterizou a tese, e agora caracteriza o livro. Parti do pressuposto de que essa pastoral teve um papel substancial para o clima de paz que actualmente se vive em Angola. Assim, à luz dos documentos pastorais publicados pela CEAST entre 1974 e 2003, organizei uma antropologia para uma educação para a paz, tendo em conta o contexto de Angola. É o meu contributo na árdua tarefa de cada um educar-se e educar para a paz.

O quê este livro significa para mim! Dos muitos significados que o livro possa envolver, gostaria apenas de partilhar um. Este livro, acima de tudo, foi uma terapia para mim. Tal como muitos jovens angolanos, eu sou da geração da guerra. Ou seja, nasci na guerra e cresci na guerra, esta guerra tratada no livro. Como diz a página 106 “na guerra de Angola, não terá havido praticamente nenhum angolano que não tivesse experimentado mágoas e suas consequências, directas e indirectas. Daí a tentação de muitos cederem à lei da retaliação”. Citando os Bispos, a página 90 deste livro, diz que muitos angolanos “perderam os pais, outros os irmãos, outros os amigos, outros a saúde, outros a escola, e outros, tudo isso”. Se por um lado vieram-me a memória estes factos durante a investigação, por outro, os resultados alcançados foram para mim uma autêntica terapia para as minhas interrogações, um sorriso cheio de esperança numa Angola melhor, uma Angola de paz, onde o outro seja a minha alegria de existir, a diferença seja apenas a prova de que existimos como seres únicos. O homem, diziam os bispos, “é dom de Deus para o homem”.

Portanto, ler este livro é fazer sim uma descoberta dos conteúdos das cartas pastorais dos bispos da CEAST no que concerne a educação para a paz. Mas é sobretudo entrar num processo de terapia e conversão interior, um processo de libertação rumo ao homem novo, este que vê o outro como dom de Deus. Construir uma nova geração, a geração de filhos da paz, a geração de crianças, jovens e velhos de paz, é um dos desafios a que o livro nos convida.

Termino com algumas palavras de apreço e gratidão a algumas pessoas em particular, principalmente as que fizeram com que hoje estivéssemos aqui. Eterna gratidão aos Frades Menores Capuchinhos de Portugal por toda a ajuda prestada durante os meus estudos em Portugal.

Eterna gratidão a minha família, minha fonte de inspiração: sempre esteve ao meu lado apoiando-me incondicionalmente. Obrigado por tudo, obrigado pela vossa presença nesta cerimónia.

O meu obrigado a todos aqueles que estiveram na organização desta cerimónia. Destaco a associação da ACGD, na pessoa do Dr. Arlindo, a associação da ALUAMPINDA, as Irmãs de Nossa Senhora da Luz que nos cederam o lugar, e a minha família.

Agradeço as palavras do Dom Luís Scarpe, Bispo Emérito de Ndalatando, as do Rev.do Padre António Lungieki, Chanceler da Arquidiocese de Luanda, as do Rev.do Padre Dionísio, Secretário da CEAST, e as da Dona Lúcia na qualidade de membro da ALUAMPINDA.

Tudo isto me anima a divulgar os resultados das minhas pesquisas! Tenho ainda outras. Tenho, por exemplo, um outro livro por publicar. Este sobre a educação em Angola, fruto da tese do meu mestrado. Ainda não saiu porque carece de patrocínios

Obrigado a todos os presentes, obrigado por terem vindo a cerimónia. Obrigado pela vossa presença, obrigado pela vossa amizade. Deus esteja sempre convosco.


Luanda, 10 de Julho de 2009




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A reportagem da apresentação do livro na imprensa nacional:

10-07-2009 19:09 - Fonte: angop

Literatura:

Lançado livro "A Voz Profética dos Bispos da Ceast"

Luanda – O mercado literário angolano conta desde hoje com mais um produto de carácter investigativo, "A Voz Profética dos Bispos da Ceast (1975-2002)", do padre André Vela Ngaba, que retrata a influência da pastoral dos bispos católicos para educação para paz, durante a guerra em Angola.

A obra (uma antropologia profética da educação para paz), de 163 páginas, foi editada pela Sedieca e faz a alusão ao contributo das mensagens de apelo à paz e à harmonia entre os homens, contidas nas cartas saídas das reuniões dos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (Ceast).

Falando no acto de lançamento, o autor referiu que, com esta obra, tentou reflectir sobre a importância da pastoral dos bispos para a paz no país, tendo concluído que as cartas tiveram, efectivamente, um papel substancial para a saída do conflito em que se vivia.

"Ler este livro é entrar no processo de terapia rumo ao outro, construindo na geração de filhos, pais e avós a importância da paz e o respeito", referiu.

André Ngaba disse que a sua obra representa igualmente uma terapia para si, já que "nasceu da guerra e cresceu nela, num ambiente onde muitos perderam a educação, saúde e outras necessidades".

Ao apresentar a obra, o chanceler da Arquidiocese de Luanda, Pedro Bengui, referiu que o autor fez uma leitura pontual da intervenção da Igreja Católica em Angola, no período da guerra, fazendo análise da antropologia teológica contida nas cartas dos Bispos da Ceast.

O autor, considerou, apresenta uma antropologia teológica, justificando a origem divina do ser humano, criado com cabeça para pensar, liberdade de consciência para tomar decisões e uma vontade par apreciar o bem escolhido.

"A Voz Profética dos Bispos da Ceast (1975-2002) é uma antropologia de esperança, já que a visão dos bispos, nestas cartas, é vencer o mal e voltar a ser homem digno. É uma Antropologia de desafio que sirva para educação para paz, onde todos façam tudo para o bem de todos", sublinhou.

Sacerdote da Diocese de Mbanza Kongo, capital da província do Zaire, estudou Ciências Filosóficas no Seminário Maior de Luanda, Teologias e Ciências Religiosas na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa e é mestre em Ciências da Educação, na área de Administração e Organização Escolar pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica de Portugal.
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13 de Julho de 2009 - Fonte: Rádio Ecclesia
Reportagem e gentileza do Jornalista Armando Chicoca
Intelectuais do país encorajados a contribuir para a cultura da paz e resgate dos valores morais, com literaturas e outras iniciativas a causa do homem. O vice-ministro da educação Pinda Simão fez este apelo no acto do lançamento do livro “Angola: a voz profética dos bispos da CEAST” que teve lugar neste final de semana no auditório do lar da CEAST: “vem engrandecer porque o livro fala na sua essência, sobretudo, no seu conteúdo, fala da cultura da paz que deve ser uma das componentes que a sociedade angolana deve valorizar sobretudo neste momento em estamos a viver algum clima de insegurança, criminalidade, e é sempre bom que tenhamos algumas informações sobre o que é a cultura de paz, o que devemos fazer e o que é que estamos a fazer aqui em Angola. Acredito que o padre Vela terá desenvolvido esta matéria com a devida profundidade e os agentes do ensino vão, penso eu, explorar essa bibliografia para o trabalho que eles desenvolvem, ou na escola, ou na sociedade ou em qualquer meio onde se encontrem pessoas”.

Pinda Simão felicitou o padre André Vela Ngaba pela contribuição a causa da cultura de paz em Angola com esta obra: “é um grande contributo, mais um de tantos que devem existir e acredito que esta por ter referido tudo o que a CEAST vem desenvolvendo durante estes últimos anos, certamente vai lembrar que algo terá acontecido sobretudo naqueles momentos conturbados aqui em Angola. Nós felicitamos o padre por ter nos frisado com este património”.

Sr. Vice-ministro será que iniciativa dessa natureza deve ser, portanto, encorajada a mais pessoas para que apareçam mais bibliografias como estas? “Acho que sim, sobretudo os que trabalham nas ciências humanas, os que estão ligadas as organizações religiosas, são elas que dão uma atenção especial a esta matéria da paz, da cultura da paz, estabilidade, harmonia entre as comunidades, e acredito que há várias outras experiencias que devem ser partilhadas por nós todos e encorajo que outros venham enveredar neste caminho e que nos tragam mais subsídios para o equilíbrio que a nossa sociedade precisa”.

Com 163 páginas o livro “Angola: a voz profética dos bispos da CEAST” reflecte o percurso histórico angolano 1975-2002.

O presidente da Associação de leigos católicos ACGD, Estevão Zeferino Juliana, este disse mesmo que esta obra bibliográfica não é um livro qualquer: “Este não é um livro qualquer, é um livro que sai no quadro de vários documentos da Conferência Episcopal desde 1975-2002 e definiu toda a sua estratégia para a dignificação do homem angolano”.

Podemos dizer que é uma ferramenta para o resgate dos valores morais? “Bem, a Igreja teve sempre esta visão de trabalhar para o bem comum, de trabalhar para a solidariedade, de trabalhar para que o homem seja digno de si próprio, portanto, nós temos que fazer um grande esforço para que cada um sinta-se como homem dentro da sua própria terra”.

O Padre André Vela Ngaba, admite que o facto de ter pertencido a geração sofredora da época seja um dos motivos que o terão influenciado nesta obra: “Sempre estive preocupado por Angola, amo Angola, e depois também eu vivi essa situação toda do conflito armado, no fundo sou dessa geração, talvez tudo isto tenha influenciado em explorar as cartas pastorais dos bispos da CEAST, em explorar o aspecto antropológico dessas cartas e, sobretudo, direccioná-lo para a educação para a paz.

Qual é o momento mais marcante neste livro? “Acho que tudo marca, por isso é que está ai. Acho que tudo que está ai marcou-me de uma certa maneira. E, sobretudo, eu disse na minha intervenção na altura da apresentação do livro de que o livro em si sempre que eu o leio ou releio serve de terapia para mim.

Padre André Vela Ngaba, autor da obra “Angola: a voz profética dos bispos da CEAST”, já no mercado angolano, lançado no auditório do lar da CEAST (…).
Informação confiança, Armando Chicoca em Luanda.
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18 de Julho de 2009 - Fonte: Folha 8

Visão antropológica da Igreja editada em livro


O mercado angolano conta com mais uma obra “A voz Profética dos Bispos da Ceast (1975-2002)” de investigação antropológica. Coube ao notável padre André Vela Ngaba a sua apresentação.

A obra retrata a influência da pastoral dos bispos Católicos para a educação e paz, durante a guerra em Angola. O livro (uma antropologia profética da educação para a paz) tem 163 páginas e é a chancela da Sedieca e faz a alusão ao contributo das mensagens de apelo à paz e harmonia entre os homens, contidas nas cartas saídas das reuniões dos bispos da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (Ceast). Ao tomar a palavra por ocasião do lançamento, o autor referiu que, com esta obra, tentou reflectir sobre a importância da pastoral dos bispos para a paz no país, tendo concluído que as cartas tiveram, efectivamente, um papel substancial para a saída do conflito e que se vivia.

“Ler este livro é entrar no processo de terapia rumo ao outro, construindo na geração de filhos, pais e avós a importância da paz e o respeito”, salientou.
André Ngaba disse que a sua obra representa, igualmente, uma terapia para si, já que “nasceu da guerra e cresceu nela, num ambiente onde muitos perderam a educação, saúde e outras necessidades”.

Ao apresentar a obra, o Chanceler da Arquidiocese de Luanda, Pedro Bengui, destacou que o autor fez uma leitura pontual da intervenção da Igreja Católica em Angola, no período da guerra, fazendo análise da antropologia teológica contida nas cartas dos Bispos da Ceast.
O Padre André Ngaba oferece uma antropologia teológica, justificando a origem divina do ser humano, criado com cabeça para pensar, liberdade de consciência para tomar decisões e uma vontade para apreciar o bem escolhido.

“A Voz Profética dos Bispos da Ceast (1975-2002)” é uma antropologia de esperança, já que a visão dos bispos, nestas cartas, é vencer o mal e voltar a ser homem digno. É uma antropologia de desafio que servirá para a educação, paz, onde todos façam tudo para o bem de todos”, destacou.

O autor é sacerdote da Diocese de Mbanza-kongo, capital da província do Zaire. Estou Ciências Filosóficas no Seminário Maior de Luanda. Teologias e Ciências Religiosas na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. É Mestre em Ciências da Educação, na área de Administração e Organização Escolar pela Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica de Portugal.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009


Brevemente, isto é, no dia 13 de Junho, na Missão Católica do Mpinda/Soyo, será apresentado o livro "Angola: a voz profética dos bispos da CEAST (1975-2002). Uma antropologia teológica para a educação para a paz", da autoria de André Vela Ngaba. Esta obra faz um retrato do que foi a pastoral dos bispos da CEAST, no que concerne a educação para a paz, durante o tempo da guerra em Angola (1975-2002). Trata-se da publicação em livro de uma pesquisa científica que se baseou nas cartas pastorais dos bispos da CEAST. Foram explorados os conteúdos que caracterizaram a pastoral dos bispos da CEAST durante o período estudado, como foram articulados em termos práticos, e o impacto que tiveram na realidade angolana. A nota de abertura é de Dom Eugénio Dal Corso, actualmente bispo de Benguela, e o prefácio é de Dom António Couto, actualmente bispo auxiliar de Braga. A obra pode ser encomendada através do endereço electrónico: voz.profetica.bispos@gmail.com

domingo, 13 de julho de 2008

Transnacionalismo e Políticas educativas: o caso angolano (1975-2005)

RESUMO:

Tal como noutros sectores da sociedade, na Educação assiste-se hoje uma homogeneidade de políticas e práticas educativas a nivel mundial: sistemas educativos de diferentes países são homogéneos nas suas principais características e prioridades políticas. Ou seja, fruto das dinâmicas do Sistema Educativo Mundial (SEM) as sociedades que se modernizam acabam por optar por subsistemas de educação escolar de contornos semelhantes. E a importação de modelos educativos que daí advém, em alguns casos, é uma das causas do baixo desempenho dos sistemas educativos dos países em vias de desenvolvimento.

O presente trabalho teve como objecto de estudo as políticas educativas angolanas de 1975 à 2005 (1.ª e 2.ª República), à luz das dinâmicas do SEM. Sendo um país em vias de modernidade e actualmente com uma reforma educativa em curso, este trabalho, entre outros objectivos, pretende principalmente suscitar um debate que vise a analisar as políticas educativas do país, à luz das dinâmicas do SEM.

O estudo baseou-se na metodologia qualitativa, tendo como principal técnica de trabalho a análise documental. Os documentos que constituíram a amostra (cuja a natureza é de fontes primárias inadvertidas) foram recolhidos no Ministério da Educação de Angola (MED). O processo da amostragem baseou-se no critério da intencionalidade: tendo sido seleccionados apenas os documentos cuja a temática coincidiu com o objecto do estudo.

Os resultados obtidos foram divididos em duas fases: 1.ª República (1975-1992) e 2.ª República (1992-2005ss). Sobre a 1ª República apontam para uma homogeneidade entre as políticas educativas angolanas e as dos países do Bloco do Leste, principalmente a República de Cuba. A opção política assumida por Angola neste período (Marxismo-leninismo) e a busca de legitimidade do Sistema Educativo do País, tanto a nível externo como interno, são um dos factores que explicam esta homogeneidade. E sobre a 2.ª República apontam para uma homogeneidade entre as políticas educativas do novo projecto educativo de Angola e as políticas educativas da UNESCO, UNICEF e Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP). A mudança do clima político de Angola em 1992 (ensaio da democracia) e, mais uma vez, a busca de legitimidade do Sistema Educativo do País, a nível externo e interno, são uma das explicações desta nova homogeneidade.

Os Resultados obtidos nas duas fases em análise confirmam a tese segundo a qual, fruto das dinâmicas do SEM, as sociedades que se modernizam acabam por optar por subsistemas de educação escolar de contornos semelhantes.

O objectivo deste estudo não só foi de facultar conhecimentos no que concerne ao contexto específico de Angola no SEM! Nem tão pouco defender apenas um quadro teórico sobre a homogeneidade de Políticas Educativas Mundiais. Mas sobretudo, suscitar um debate que leve o país [Angola] a elaborar melhores estratégias perante o fenómeno da globalização no sector da educação, adoptando, neste caso, políticas educativas que vão de acordo ao contexto específico de Angola, sem menosprezar a cooperação internacional. Angola é um país com sérias dificuldades no sector da educação, caracterizadas por uma taxa de insucesso, abandono e absentismo escolar muito altas, e actualmente com uma reforma educativa em curso que tem como um dos objectivos primordiais aumentar o nível de eficácia do sector da educação e facultar uma educação para todos, até pelo menos ao ano 2015.

Pretende-se, assim, associar no âmbito do grande debate nacional sobre as políticas e reformas educativas em Angola a perspectiva do SEM vendo, neste caso, o SEN angolano não tanto como uma unidade de análise, mas como um todo dentro do contexto alargado das políticas educativas mundiais. Este trabalho, fruto de uma pesquisa realizada no âmbito da obtenção do grau de Mestre em Ciências da Educação pela UCP, pode ser consultado na Biblioteca Paraíso da UCP – Pólo da Foz/Porto.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

André V. Ngaba, apresenta o livro da Drª Beatriz Castro em Paredes-Portugal



No dia 19 de Abril de 2008, André V. Ngaba apresentou o livro da Drª Beatriz Castro. Segue o teor da apresentação:


Excelentíssimo Sr. Dr. Francisco Leal, Presidente da Fundação A LORD, Dr.ª Maria José, membro da Fundação A LORD, minhas Senhoras, meus Senhores, Vossa Excelência Dr.ª Beatriz Castro. Começo por expressar o meu profundo agradecimento pelo surpreendente convite que me endereçaram a fim de fazer parte desta mesa e deste grupo para assistir ao nascimento desta magnifica obra.

Permitam-me que, antes de tudo, eu faça algumas confissões públicas. A primeira vez que tive contacto com esta obra, na altura ainda em gestação, foi no dia da defesa da Tese, Tese de Mestrado, que agora resulta em livro. Ou seja, neste livro. Confesso-vos sinceramente que a partir daquele momento nasceu em mim um fascínio pela obra, um fascínio que me levou a procurá-la e lê-la duma forma mais profunda.

Ao longo do período entre o dia da defesa da Tese e o dia de hoje, eu li e reli muitas vezes este trabalho. Os motivos foram vários. Entre eles, destaco a escolha e a orientação do tema; o círculo de interesse da obra; o seu carácter científico; e a arte com que os resultados foram apresentados. Magnifica obra:

O tema e a sua orientação. O tema e a sua orientação levou-me a pensar nos objectivos do Fórum Mundial de Educação para Todos, realizado em Dakar, Senegal, no ano 2000, sob a égide da UNESCO. A declaração Mundial de Educação para Todos, saída deste Fórum, no seu sexto objectivo, diz: “Melhorar todos os aspectos da qualidade da educação e assegurar a excelência para todos [os alunos], de forma a garantir a todos resultados reconhecidos e mensuráveis”. Como vedes, a preocupação de garantir uma maior qualidade de ensino a fim de assegurar a excelência de todos os alunos, sem exclusão, é uma preocupação globalizada. Para Portugal essa preocupação é expressa não só pela vontade da UNESCO, mas sobretudo pela necessidade actual do nosso país. Daí, a Lei de Bases do nosso Sistema Educativo, no seu 2.º artigo, n.º 2, defender a democratização do ensino português garantindo o direito a uma justa e efectiva igualdade de oportunidades, não só no acesso mas também no sucesso escolar. Este livro é um contributo, contributo valioso na busca de caminhos para uma escola com qualidade, uma escola com sucesso para todos.

Pelo círculo de interesse. Pelo Círculo de interesse, esta obra é para todos os professores, na medida em que cada professor é um potencial director de turma. Esta obra é para todos os directores de turma. Pelo círculo de interesse, esta obra é para os encarregados de educação. Ou seja, os encarregados de educação das pessoas que nós na escola chamamos de alunos. Esta obra é também para os alunos. Ainda pelo círculo de interesse, esta obra é para a comunidade envolvente: Autarquias, empresas e outras organizações.

O abandono escolar precoce, segundo Azevedo (1999), é um fenómeno sistémico reunindo quatro subsistemas: o indivíduo, a família, a es­cola e o meio envolvente. É neste triângulo sistémico onde encontramos as causas que determinam o abandono escolar precoce. É também neste mesmo triângulo sistémico onde pode residir a solução deste problema. Estes dois focos foram bem articulados nesta obra, com os olhos postos no director de turma, figura incontornável no sistema de ensino, fazendo de mediador entre alunos, professores e encarregados de educação.

Assim, cada subsistema – o indivíduo, a família, a escola e a comunidade envolvente – ao ler esta obra, ficará a saber o seu papel, tanto na origem do problema, bem como na sua solução. No caso do director de turma, figura de gestão intermédia, terá a oportunidade de reflectir e perceber até que ponto pode contribuir para a prevenção do abandono escolar precoce.

Pela ciência. Pelo lado da ciência, esta obra resulta de uma investigação que serviu para marcar o fim de um percurso académico: o mestrado em administração e organização escolar. Portanto, trata-se de uma obra feita com muito rigor e cientificidade. É um estudo de caso, realizado numa escola secundária do Município de Paredes. Parabéns Paredes por ter agora uma obra que retrata a sua realidade. Mas, pelo seu carácter, ela transcende as fronteiras de Paredes. É para todos: Paredes, região norte, Portugal e além fronteiras.

Pelo lado da arte. Pela arte, esta obra fez-me lembrar Boaventura de Sousa Santos. No seu livro «Um discurso sobre as ciências», que já vai na 15.ª Edição, falando do paradigma emergente das novas ciências, ele diz: “A criação científica no paradigma emergente assume-se como próxima da criação literária ou artística, porque à semelhança destas pretende que a dimensão activa da transformação do real […] seja subordinada à contemplação do resultado (obra da arte)”. Aqui estamos diante de uma verdadeira obra de arte. Uma bela peça de arte: escrita com a minúcia de um novelista e um olhar de um escultor. Rica em pormenores. Ao lê-la, gera prazer. Mas muito prazer.

Ela está dividida em cinco capítulos. Todos de simples leitura e fácil compreensão. Paredes muito ganha com esta obra. Mérito da Dr.ª Beatriz Castro por ter querido e sabido articular a problemática de:“O director de turma e o abandono escolar”. Fê-lo com inteligência e muito amor. O resultado é esta obra que em boa hora chega até nós. Qualquer leitor, muito ganhará com ela. E recomendo que a leiam.

Permitam-me que eu termine a minha intervenção com mais uma confissão pública. Ao longo da minha exposição ficou clara a minha admiração pela obra, em torno da qual estamos aqui reunidos. Mas esta minha admiração não se limita à obra. Estende-se também, e sobretudo, à sua autora. É neste sentido que eu gostaria de me dirigir especialmente à Dr.ª Beatriz Castro. Dr.ª Beatriz Castro, é encantador o seu ser pessoa. Acima de tudo, um Presidente de um Conselho Executivo de uma escola, um director de turma, um professor deve ser uma pessoa. É encantadora a sua força e o seu zelo como educadora. A obra que acaba de publicar é sobretudo fruto desses seus encantos. Esperamos que não seja a última. Esperamos sobretudo aprender muito mais consigo: pelo seu ser e pelos seus escritos.

Renovo os meus votos de gratidão pelo convite. Obrigado à Dr.ª Beatriz Castro, obrigado à fundação A LORD, obrigado a todos aqueles que fizeram com que esta obra estivesse aqui e agora. Obrigado a todos os presentes.



Paredes, 19 de Abril de 2008